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Insulina inalável: entenda o que é e quando ela pode ser usada

Insulina inalável: entenda o que é e quando ela pode ser usada

9 minutos para ler

Conforme as pesquisas e a tecnologia avançam, cada vez mais as pessoas podem contar com novas alternativas para realizar os seus tratamentos. Um bom exemplo dessas novidades é a insulina inalável. Você já ouviu falar nela?

Trata-se exatamente do que o nome sugere: uma modalidade de administração de insulina que é feita por meio de inalação. Seu funcionamento é relativamente simples, necessitando apenas de um inalador para administrar o hormônio ao paciente. No entanto, é preciso ter atenção à sua dosagem e possíveis restrições.

Aprovada pela Anvisa em 2019, a insulina inalável tem seus prós e contras, que a pessoa com diabetes precisa avaliar antes de decidir pelo seu uso. Pensando nisso, falaremos neste artigo um pouco mais sobre como ela funciona e se vale a pena utilizá-la. Boa leitura!

O que é a insulina inalável e como ela funciona no corpo?

Quem tem diabetes conhece muito bem a insulina tradicional e o papel que ela exerce em normalizar o controle de glicose no sangue, certo? Pois a insulina inalável é uma nova forma de realizar essa mesma tarefa, só que por meio de uma inalação.

A Afrezza é a primeira insulina inalatória de ação rápida a ser registrada no Brasil e teve seu registro concedido em dezembro de 2010. Já aprovada nos Estados Unidos desde 2014, sua comercialização e seu uso foram autorizados, no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apenas em junho de 2019.

Contudo, o produto precisou passar por outros procedimentos antes de chegar ao mercado brasileiro. Um deles foi a avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que define os preços dos fármacos.

Um dos diferenciais mais perceptíveis da insulina inalável é o seu tempo de atuação. Ela é capaz de começar a agir em até 15 minutos após a administração, durando cerca de 3 horas após isso. A opção injetável, em comparação, demora uma média de 30 a 40 minutos para agir, permanecendo em atividade no organismo por até 5 horas.

Vale ressaltar que a dosagem necessária para cada paciente é sempre definida pelo médico, pois apenas ele tem a capacidade de avaliar e definir o melhor tratamento. No entanto, ainda é preciso ficar atento, porque ela não pode ser utilizada em todos os casos.

Em quais casos ela pode ser usada e como deve ser esse uso?

De fato, apesar de ser uma alternativa bastante interessante para a administração de insulina em quem tem diabetes, não é em todo caso que essa variante inalável pode ser utilizada. Para entender melhor, é preciso lembrar que existem dois tipos principais de insulina.

O primeiro é o basal (que o organismo produz quando há glicose em excesso, atuando o dia inteiro), e o segundo é o bolus (que o pâncreas gera durante as refeições). Enquanto a insulina do tipo basal requer apenas duas doses por dia, a pessoa com diabetes precisa aplicar a bolus antes de todas as refeições.

O fato é que a insulina inalável substitui a do tipo bolus, servindo como uma maneira de diminuir o número de agulhadas necessárias no dia de quem tem diabetes, além de lhe proporcionar uma maior qualidade de vida.

Veja os passos para fazer uso desse medicamento

Quem tem diabetes precisa ingerir a insulina inalável antes das refeições com o objetivo de melhorar o controle glicêmico do paciente. Para fazer o uso desse medicamento, é preciso seguir os seguintes passos:

  1. O paciente deve encaixar o cartucho com a insulina em pó no inalador, não tente aspirar o pó ou engolir os refis;
  2. Ao fechar o inalador, o dispositivo libera a insulina em pó. Vale lembrar que o inalador deve ser trocado a cada 15 dias;
  3. O paciente inala o pó de insulina;
  4. Ela é rapidamente absorvida pelos pulmões, chegando à circulação sistêmica.
  5. É importante estar sempre verificando seus níveis de açúcar no sangue;
  6. Sempre pergunte ao seu médico sobre seus níveis de glicose, pois ajustes de dose podem ser necessários na troca de uma outra insulina para a insulina inalável.

Em resumo, as empresas a comercializam em cartuchos contendo um pó com diferentes tipos de dosagem. O paciente faz uso de um inalador para utilizá-la, que leva a substância ao pulmão para que seja absorvida pelo sangue, onde exercerá o seu papel de reduzir os níveis de glicemia.

Quais são as contraindicações?

Como já dissemos, ela não pode ser utilizada em todos os casos. O uso da insulina inalável ainda apresenta algumas contraindicações e limitações. Veja a seguir quais são elas:

  • Antes de utilizar o medicamento, o médico deve analisar o histórico do paciente e deve-se realizar exame físico e espirometria para avaliar a capacidade pulmonar e avaliar se não existem problemas respiratórios que atrapalham a ação da insulina no organismo.
  • Não recomenda-se esse remédio para pacientes com doenças pulmonares crônicas, como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) pois a insulina inalável pode causar broncoespasmo agudo .
  • A insulina inalável é contraindicada em pacientes que tiveram reações de hipersensibilidade aos produtos à base de insulina.
  • Pessoas que fazem o uso de tabaco também não devem utilizar a insulina inalável.
  • Mulheres grávidas devem ter cautela e sempre conversar com seu médico para avaliar se podem tomar ou não esse medicamento, pois os dados que os profissionais da saúde coletam ainda são insuficientes para determinar os riscos do uso da insulina inalável em gestantes.
  • Não recomenda-se esse produto para os indivíduos menores de 18 anos, já que, até o momento, especialista testaram apenas em adultos.
  • Pacientes idosos também devem estar atentos a as contraindicações, pois a experiência terapêutica em pacientes com mais de 75 anos é limitada. É importante sempre conversar com seu médico para saber se você pode ingerir esse medicamento ou não.

Entre os seus efeitos colaterais, pode surgir uma tosse que tende a diminuir com o tempo. Além disso, é comum (mais de 10% dos casos) que ocorra a hipoglicemia (baixa quantidade de açúcar no sangue) incluindo episódios de convulsão e inconsciência.

Quais são os prós e contras do uso da insulina inalável?

Como qualquer decisão relacionada a tratamentos de saúde, o uso do hormônio inalável carrega consigo algumas vantagens e desvantagens. Juntamente ao seu médico, você deverá colocar esses prós e contras na balança para decidir se essa é uma alternativa válida para o seu tratamento ou não. Conheça, a seguir, os principais deles!

Diminui o número de injeções

Mesmo com o rodízio entre os locais de aplicação, a pessoa com diabetes que se incomoda com o número de agulhadas necessárias da insulina injetável pode enxergar uma ótima alternativa nessa versão inalável. Afinal, como o os pulmões recebem esse hormônio, de maneira rápida, não há a necessidade de usar agulhas.

Não substitui totalmente a opção injetável

Como dissemos, a insulina inalável substitui apenas o tipo bolus, logo, ainda há a necessidade de aplicações diárias de ação lenta e duradoura. Não se trata, portanto, de trocar uma opção pela outra, mas sim de combinar as duas para aproveitar as suas vantagens de maneira separada.

Oferece restrições a quem tem problemas pulmonares

Por se tratar de uma solução inalável, esse tipo de insulina pode trazer algumas restrições a pessoas que têm problemas respiratórios. Até porque toda a eficácia da insulina inalável depende de uma boa absorção do hormônio pelos pulmões. Em outras palavras, quem tem doenças pulmonares ou é fumante não deve utilizar esse tipo de insulina.

É mais fácil de armazenar

A insulina injetável requer bastante cuidado quando ao seu armazenamento em casa, quem tem diabetes deve guardar na geladeira antes de retirar para a aplicação. Já a insulina inalável não requer esse tipo de armazenamento com refrigeração, podendo ser guardada onde for mais conveniente (ou seguro) para o usuário.

Seu custo é mais alto

Por se tratar de uma novidade no mercado, essa opção inalável chegou com um valor alto às farmácias brasileiras. Esse preço pode ser proibitivo para o consumo de todos os interessados — ao menos, até que caia com a popularização dessa solução no mercado, o que ainda não sabemos quando acontecerá.

Oferece menos opções de dosagem

Diferentemente da injetável, a insulina inalável tem números fixos de dosagem, que podem representar limitações desvantajosas para alguns pacientes. Em geral, ela costuma vir em doses de 4, 8 e 12 unidades, enquanto a injetável pode contar com doses de até meia unidade. Essa possibilidade é permitida em crianças — algo que já não é possível em se tratando da opção inalável.

Praticidade

Em uma situação social, por exemplo, com a insulina inalável, o procedimento de controle do nível da glicose no sangue pode ser mais rápido e discreto, visto que o inalador é pequeno e cabe na palma da mão.

Enfim, considerando todas as características da insulina inalável, você já tem as informações que precisa para tomar uma decisão em relação a essa alternativa de tratamento. Contudo, é importante estar sempre atento às limitações e contraindicações que esse produto oferece.

Lembre-se sempre de que qualquer mudança relacionada a medicamentos deve antes ser discutida com o seu médico, já que ele conhece as suas características e históricos para recomendar o melhor caminho a ser seguido.

Então, gostou da leitura? Então, acesse também nosso post sobre os principais tipos de insulina para se manter ainda mais por dentro do assunto! Aproveite para seguir os nossos perfis nas redes sociais no Facebook, no Instagram e no LinkedIn.

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