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Estadiamento do câncer: como é feito o diagnóstico pelos médicos?

Estadiamento do câncer: como é feito o diagnóstico pelos médicos?

Estadiamento do câncer: como acontece por parte dos médicos no diagnóstico?
12 minutos para ler

O diagnóstico de um câncer deve ser seguido imediatamente de uma informação essencial para condução das medidas a serem tomadas: a extensão do tumor e possíveis disseminações para outros órgãos. A essa avaliação dá-se o nome de estadiamento do câncer.

Como é feita essa avaliação? Qual a sua importância para o tratamento do paciente? Qual a metodologia utilizada?

Continue a leitura e tenha as respostas a todas essas questões e muito mais sobre o estadiamento do câncer.

1. O que é estadiamento do câncer?

A instalação e o desenvolvimento de células cancerosas em uma determinada região do corpo precisa ser acompanhada logo após ser detectada. Isso também acontece para diversas doenças crônicas no Brasil.

No caso do câncer, é necessário classificar cada situação tanto em razão de sua localização quanto da extensão do tumor. Quando se trata de tumores, é indispensável o conhecimento de seu espalhamento pelas regiões próximas ou mesmo distantes do ponto de surgimento.

Essa avaliação do desenvolvimento e sua respectiva classificação recebe o nome de estadiamento, em referência à identificação do estágio em que se encontra o tumor. Desse modo, o médico avalia a situação a partir do exame clínico e dos exames complementares que solicita para confirmação e precisão das medidas.

Portanto, o estadiamento de um câncer é a avaliação do seu estado de disseminação no organismo do paciente. Para esse fim, existem procedimentos internacionais que, embora estejam em permanente aperfeiçoamento, constituem protocolos que devem ser seguidos pelos profissionais médicos.

O estadiamento é um procedimento de avaliação para ser conduzido, inicialmente, logo que o paciente receba um diagnóstico de câncer. Assim, ocorre antes de qualquer tratamento e constitui, na verdade, uma referência para a definição dele.

Estágio do tumor

O estadiamento, ou seja, a definição do estágio do tumor, é realizado apenas durante ou logo após o diagnóstico de sua ocorrência. Esse estágio encontrado pelo procedimento não altera com o tempo, o tumor pode mudar, mas a fase em que se encontrava durante o diagnóstico é mantido.

Assim, se o tumor reduzir ou aumentar seu tamanho, se disseminar para outros órgãos ou retornar após o tratamento, o estágio será considerado o mesmo. Isso significa que a referência do estágio será sempre aquela do diagnóstico da doença.

Essa é uma informação importante, sobretudo para compreender as estatísticas de sobrevida com base no estágio registrado. Desse modo, os dados a respeito de sobrevida de um câncer de estágio 2 com recidiva (ressurgimento do tumor) não são os mesmos para um câncer estágio 4, considerando a mesma doença.

2. Por que é importante?

Quando uma neoplasia maligna ainda está restrita a um órgão, sua evolução é diferente em relação ao que ocorre quando se estende a outros órgãos do corpo constituindo uma metástase. Assim, para definir qual deve ser a melhor abordagem a ser adotada para o tratamento, é necessário conhecer com a melhor precisão possível como está o desenvolvimento da doença.

A utilização dos dados obtidos com o procedimento se faz mais costumeiramente quando o objetivo é estudar opções de tratamento. Além disso, o estadiamento também permite fazer previsões bem aproximadas a respeito do curso da doença.

O prognóstico do paciente pode ser realizado a partir do estadiamento. Assim, diferentes tipos de câncer apresentando o mesmo grau de estadiamento podem receber tratamentos e prognóstico semelhantes.

Pacientes oncológicos costumam ser assistidos por diferentes profissionais médicos. Os resultados do estadiamento fazem uso de uma linguagem comum entre os profissionais de diferentes especialidades, facilitando a tomada de decisão sobre o tratamento do paciente.

Linfonodos

Além do sistema sanguíneo, o corpo tem um outro sistema circulatório denominado sistema linfático, por onde circula a linfa, sangue filtrado pelas paredes dos capilares, mas sem as hemácias, as células vermelhas. Os dois sistemas se encontram e prosseguem a circulação.

Uma importante característica do sistema linfático é a produção de linfócitos, principalmente os glóbulos brancos, componentes essenciais do sistema imunológico. Os linfócitos são produzidos em estruturas situadas em diversos pontos do corpo, ao longo do sistema circulatório linfático, denominados linfonodos.

Os linfonodos são mais conhecidos como nódulos ou gânglios linfáticos, pequenos carocinhos que, às vezes, podem ser percebidos no corpo com o toque das mãos. Quando o médico coloca os dedos atrás das orelhas do paciente, ele está procurando perceber linfonodos aumentados, o que se dá quando o corpo passa por um processo infeccioso.

Ocorre que muitos tipos de câncer se disseminam com certa frequência para os linfonodos mais próximos antes mesmo de alcançar outras partes do corpo. Então, o estadiamento permite estudar os linfonodos e a disseminação do tumor para essa e outras partes do corpo.

Os resultados obtidos com o estadiamento são do interesse, entre outros, para os seguintes fins:

  • conhecimento do comportamento do tumor;
  • definição do tratamento;
  • previsão das complicações;
  • conhecimento do prognóstico;
  • avaliação da eficiência do tratamento.

3- Como acontece esse processo?

Na primeira consulta, havendo suspeita de alguma neoplasia maligna, o médico vai conversar com o paciente em busca das suas principais queixas, com o objetivo de identificar sinais possivelmente associados ao câncer. Sua principal referência é o conhecimento da história natural do tumor.

Em algumas situações, o estadiamento requer abordagens invasivas, isto é, exige alguns procedimentos cirúrgicos como costuma ocorrer nos casos de tumor no ovário. De todo modo, o ponto de partida é o conhecimento médico sobre o comportamento do tumor abordado e sobre o sistema de estadiamento que será adotado.

O exame clínico pode dar importantes pistas para o profissional médico. Como resultado, diferentes tipos de exames e testes podem ser utilizados na condução do estadiamento, entre os quais se destacam:

  • raios-X;
  • tomografia computadorizada;
  • ressonância magnética;
  • ultrassom;
  • PET scan.

Esses exames de imagem são capazes de fornecer informações com precisão a respeito da localização e da disseminação do tumor. No entanto, uma biópsia (coleta e exame de amostras de células do tecido doente) é necessária para confirmação do diagnóstico de câncer.

Do mesmo modo, a biópsia também é empregada, por exemplo, para esclarecer se determinada imagem obtida em exame anterior se refere à disseminação do tumor. Durante o procedimento da biópsia, uma pequena parte dos tecidos do tumor (alguns fragmentos) é coletada para exame sob microscópio.

4. Quais os tipos de estadiamento?

Existem dois tipos mais comuns de estadiamento: o clínico e o patológico. Os tipos se diferenciam principalmente em função do momento em que são realizados, isto é, antes e depois do tratamento prescrito. Veja, a seguir, as características de cada um.

Estadiamento clínico

O estadiamento clínico realiza uma avaliação do desenvolvimento da doença antes da adoção do tratamento. Na verdade, como se viu, se consolida como um importante instrumento para a definição do tratamento que será adotado.

Por ter natureza clínica e basear-se nos exames solicitados, o estadiamento clínico constitui uma estimativa da disseminação do tumor, ou seja, uma indicação de até onde ele se propagou. É ainda com base no estadiamento clínico que se verifica posteriormente, de forma comparativa, se está havendo resposta ao tratamento.

Estadiamento patológico

Após o tratamento cirúrgico adotado, pode ser indicado o estadiamento patológico. Este procedimento também se baseia nos resultados dos exames antes apontados, mas acrescenta as observações realizadas durante a intervenção cirúrgica. Por essa razão, é também denominado estadiamento cirúrgico.

Assim, dispõe de maiores fontes de informação para a avaliação da situação encontrada:

  • dados clínicos;
  • exames complementares;
  • achados cirúrgicos;
  • exames anatomopatológicos da peça.

Cirurgias oncológicas, de modo geral, são realizadas para a retirada de um tumor identificado, assim como de linfonodos próximos à área. Outras vezes, a cirurgia tem o objetivo de proceder ao estadiamento, isto é, verificar até onde se deu a disseminação e para a retirada de amostras dos tecidos.

O estadiamento patológico pode, dessa forma, oferecer respostas mais precisas para fins de prognóstico e, ao mesmo tempo, pode não coincidir com os resultados obtidos no estadiamento clínico. Por sua vez, nem todo tipo de câncer permite sua realização.

5. Quais os sistemas de estadiamento?

Existem alguns métodos diferentes de se realizar o estadiamento do câncer no organismo. Sistemas internacionais com ampla validade costumam ser adotados pela comunidade médica. Esses métodos passam por constantes revisões e atualizações para seu aprimoramento.

O sistema de estadiamento mais comum é conhecido pela sigla TNM, da AJCC (American Joint Committee on Cancer, ou “Comitê Conjunto Americano de Câncer”). Nesse sistema, a letra T é referente a tumor, o N a linfonodo e o M a metástase.

A cada letra é atribuído um número indicativo de sua intensidade como, por exemplo, T1 N0 M0. Assim, o exemplo T1 N0 M0 reflete um câncer diagnosticado precocemente (tumor inicial, sem disseminação para linfonodos e sem metástase).

Um câncer que após estadiamento apresente TNM baixo como esse do exemplo acima tem mais probabilidade de sucesso no tratamento que, por sua vez, também será mais fácil. Para alguns tipos de câncer, é possível que cada letra tenha seu significado alterado ou apresente subcategorias.

A intensidade do tumor averiguada pelo estadiamento vai do 0 ao 4 e pode ser assim representada:

  • 0 – carcinoma in sito ou câncer não invasivo;
  • 1 – invasão local inicial;
  • 2 – tumor primário limitado ou invasão linfática regional mínima;
  • 3 – tumor local extenso ou invasão linfática regional extensa;
  • 4 – tumor localmente avançado ou presença de metástases.

Além do TNM apresentado, existem outros sistemas de estadiamento do câncer, alguns quase específicos para determinados tipos de tumor, outros mais antigos e já substituídos pelo sistema TNM. Assim, podem ser citados, entre outros:

  • sistema Whitmore-Jewett: classifica o câncer de próstata como A, B, C ou D, atualmente sendo substituído pelo sistema TNM;
  • sistema FIGO: da Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras, para cânceres dos órgãos reprodutivos femininos;
  • classificação Lugano: para estadiamento do linfoma de Hodgkin;
  • sistema Durie/Salmon: utilizado para o estadiamento do mieloma.

Qualquer que seja o sistema de estadiamento adotado, 3 condições colocam a ocorrência do tumor em uma outra classificação:

  • o tamanho do tumor;
  • o comprometimento de linfonodos;
  • a agressividade tumoral.

Pode-se dizer que, de maneira geral, o tumor se inicia no estágio 0, passa para o 1, depois para o 2, segue para o 3 e finalmente alcança o estágio 4, apresentando metástases sistêmicas. Algumas neoplasias, no entanto, mostram-se mais agressivas, apresentando metástase muito rapidamente, praticamente pulando do estágio 1 para o 4.

Sendo assim, o diagnóstico precoce será sempre o maior aliado do paciente. O estadiamento, por sua vez, deverá prever as chances de cura e os riscos de perda do paciente.

6. O que pode afetar o estadiamento?

Além dos valores fornecidos pelo sistema TNM, mais comumente utilizado, outros fatores podem ser necessários ou precisarão ser considerados para se determinar o estágio de desenvolvimento de um câncer. Sendo assim, veja a seguir, alguns desses fatores.

Grau do tumor

A aferição do grau do tumor permite verificar a diferenciação, ou seja, a intensidade com que a anormalidade das células do câncer se mostra ao microscópio. Trata-se de informação importante, pois um câncer com mais alterações tende a se desenvolver e se disseminar mais rapidamente.

Localização do tumor

Em algumas situações, a localização do tumor ou sua posição no órgão afetado pode ter efeito sobre o prognóstico. Um exemplo a ser considerado é o do câncer de esôfago, cujo estadiamento depende do tumor estar posicionado no terço superior, médio ou inferior do órgão.

Marcadores tumorais

Algumas substâncias denominadas marcadores tumorais podem se apresentar na corrente sanguínea em alguns tipos de câncer. Desse modo, esses marcadores podem ser de grande auxílio no diagnóstico do tipo de câncer e, por vezes, até para monitorar o tratamento.

Um exemplo que ilustra bem essa relação é o caso do marcador do câncer de próstata, o antígeno prostático específico conhecido pela sigla PSA. Sua leitura é levada em conta para o estadiamento desse tipo de câncer.

Como você pode ver, o estadiamento do câncer é procedimento indispensável juntamente do diagnóstico da doença e deve ser realizado segundo protocolos internacionais aprovados. Seu resultado posiciona o médico sobre a localização e a extensão do tumor.

Finalmente, é preciso considerar que, ainda que tenha sido conduzido o tratamento adequado, metástases poderão ocorrer muitos anos após o diagnóstico inicial. Assim, o acompanhamento cuidadoso é imprescindível para que se possa agir em tempo hábil.

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