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Diabetes gestacional: quais são seus riscos e como preveni-la? Veja!

Diabetes gestacional: quais são seus riscos e como preveni-la? Veja!

Diabetes gestacional: quais são seus riscos e como preveni-la? Veja!
11 minutos para ler

Quando o assunto é diabetes, precisamos entender que existem diferentes tipos da condição. Cada uma delas vai apresentar uma causa específica, bem como um tipo de abordagem. Afinal, quais as particularidades da diabetes gestacional?

Bem, assim como os demais tipos de diabetes mellitus, o tipo em questão também está associado a uma intolerância a carboidratos. Isso quer dizer que há maior dificuldade em diminuir o nível de açúcar no sangue.

Como ocorre durante a gestação, o manejo deve ser específico para o período. Afinal, como orientar dieta quando é necessário o ganho de peso? E como administrar medicamentos se nem todos são indicados para gestantes? Continue a leitura!

Afinal, o que é a diabetes gestacional

Para quem nunca ouviu falar sobre a condição, as estatísticas mostram que não é algo raro. Cerca de 16% dos bebês nascidos vivos são filhos de uma mulher que teve algum tipo de hiperglicemia ao longo da gestação.

Por que ocorre hiperglicemia

O mecanismo de hiperglicemia envolve várias vias metabólicas e hormonais. De maneira bem simples, a glicose é quem fornece energia para o funcionamento do organismo. Ela é obtida por meio da alimentação e precisa ser captada no sangue.

Quem realiza esse papel é a insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas. Portanto, após aumento da glicemia, a insulina é liberada e faz com que a glicose entre nas células para ser transformada em energia.

Se houver alguma falha nesse mecanismo, como a não produção de insulina ou a resistência ao hormônio, os níveis de glicose permanecem elevados.

Aqui, vale chamar a atenção para o hormônio lactogênio placentário, produzido e liberado pela placenta. Seu principal papel é aumentar a resistência à insulina da gestante, de modo que fique mais açúcar disponível no sangue para chegar até o feto e contribuir para o crescimento.

Como se diferencia de outros tipos

Vimos, então, que é esperada certa resistência à insulina por parte das gestantes. Porém, é preciso ter muito cuidado se isso não vai caracterizar um quadro de diabetes. 

Vale chamar atenção para 2 termos: diabetes diagnosticada na gestação e diabetes gestacional. Embora sejam parecidos, retratam situações diferentes. No primeiro caso, a gestante descobriu uma diabetes prévia durante a gestação.

Já no segundo caso, ela desenvolveu o quadro na gravidez, de modo que, após o parto, a tendência é voltar a ser normoglicêmica. Por isso, é tão importante um pré-natal bem-feito para avaliar e manejar o quadro corretamente.

Quais são os principais sintomas

As manifestações da diabetes estão diretamente relacionadas com o mecanismo da hiperglicemia. O ideal é realizar o diagnóstico antes mesmo que a condição apresente sinais. Porém, veremos abaixo quais podem ser eles!

Sede excessiva

Para entender a sede excessiva, poderíamos voltar no conceito de química chamado osmolaridade. Porém, não precisamos aprofundar tanto para isso: imagine só como ficaria o sangue com mais açúcar do que deveria ter.

Você concorda que ele se encontra mais concentrado? Pois bem, a sede excessiva é uma maneira de o organismo tentar diluir o sangue concentrado. Existe, ainda, um outro motivo para isso: as idas frequentes ao banheiro.

Vontade frequente de urinar

Complementando o tópico anterior, é comum que pacientes com diabetes apresentem poliúria. Nesse caso, estamos falando de uma excreção de urina acima do habitual, de modo que a própria pessoa percebe mais idas ao banheiro.

Isso acontece porque uma das funções do rim é filtrar o sangue. Diante da hiperglicemia, o açúcar passa a ser eliminado em grandes quantidades na urina, como uma tentativa a mais de diminuir os níveis no sangue.

Contudo, ao ser eliminado, ele leva junto mais quantidade de água. Logo, aumenta a frequência urinária e, ainda, a sede do indivíduo que está perdendo água.

Fraqueza

Se tem tanto açúcar no sangue, como o organismo faz para obter energia? Bem, logo de cara você já pode imaginar o motivo da fraqueza, afinal, sem açúcar nas células não há produção de energia.

Contudo, nosso corpo não pode ficar sem metabolismo energético. Por isso, ele vai buscar energia de um pequeno estoque que temos armazenado nos músculos e na gordura. Logo, há maior fraqueza e perda muscular.

E não importa quanto a pessoa se alimente: sem a insulina atuando como deveria, os carboidratos permanecem sem conversão para energia.

Como é feito o diagnóstico da condição

Embora os sintomas possam ser bastante sugestivos de diabetes, não podemos esperar as manifestações surgirem. Por isso, é preciso solicitar exames para diabetes tão logo inicie o pré-natal.

Portanto, já há uma indicação bastante sólida que logo na primeira consulta seja solicitada a glicemia de jejum, por exemplo. Esse é um exame simples, realizado após aproximadamente 8 horas de jejum.

Se o resultado for maior ou igual a 126 mg/dL, a interpretação é de diabetes diagnosticada durante a gestação. Por outro lado, se for maior ou igual a 92, porém inferior a 126, temos o diagnóstico de diabetes gestacional.

Se for inferior a 92, podemos dispensar novos exames até o final da gestação, certo? Errado! Nesse caso, é preciso investigar novamente no segundo semestre, principalmente entre a 24ª e a 28ª semana.

Vale ressaltar que existe um exame mais sensível que a glicemia de jejum: o teste oral de tolerância à glicose. Nesse caso, obtém a glicemia antes e depois de uma sobrecarga de glicose. Assim, ele indica se o pâncreas consegue agir diante do aumento da glicemia.

Aqui, o diagnóstico de diabetes gestacional ocorre diante de um dos resultados abaixo:

  • glicemia de jejum: entre 92 e 125;
  • após 1h de sobrecarga: maior ou igual a 180;
  • após 2h de sobrecarga: entre 153 e 199.

Por fim, se a gestante for sabidamente diabética, é preciso voltar atenção para o manejo adequado durante a gravidez.

Quais as formas de tratamento

O passo mais importante após o diagnóstico é estabelecer o tratamento. Afinal, não é saudável nem para a mãe, nem para o baby, manter níveis glicêmicos tão elevados. 

Cuidados com a alimentação

Sem dúvidas, a orientação alimentar se mostra essencial. Muitas vezes, essa etapa se limita a estimular uma alimentação mais saudável. De fato, isso é muito importante, mas não podemos esquecer que a gestante precisa ganhar peso ao longo da gravidez.

Contudo, esse ganho de peso não deve ser exclusivamente quantitativo. Na verdade, o mais importante é garantir a qualidade da alimentação, de modo que os nutrientes consigam suprir as necessidades de crescimento fetal.

Além de garantir o desenvolvimento saudável, é necessário que isso seja feito mantendo o controle metabólico. Assim, o cálculo do ganho de peso é feito baseado no IMC pré-gestacional. De modo geral, o cardápio é composto dos seguintes macronutrientes: 

  • 40 a 55% de carboidratos;
  • 15 a 20% de proteínas;
  • 30 a 40% de gordura.

Medicamentos

Diante do risco de complicações, não devemos dar brecha para a hiperglicemia. Dessa maneira, além de melhores hábitos alimentares, a terapia farmacológica precisa entrar em ação.

Primeiro, sobre os medicamentos orais, a metformina não se mostrou deletéria para mãe ou feto. Porém, sabe-se que ela ultrapassa a barreira placentária, o que redobra o alerta quando indicado o uso.

Nessa perspectiva, a insulinoterapia é a primeira escolha de tratamento medicamentoso. Ela tem eficácia comprovada e, ainda, tem apenas pequena passagem pela barreira placentária.

De fato, pode ser mais desafiador para as gestantes. Porém, com as orientações adequadas e com a prática diária, logo fica mais fácil o manejo.

A meta do tratamento é manter a glicemia de jejum inferior a 105 mg/dL. Ah, é indicado monitorar a glicemia capilar diariamente, pelo menos 4x por dia, a fim de ajustar as dosagens de acordo com a realidade daquela gestante.

Quais os riscos da diabetes gestacional

Os riscos que a condição oferece acomete o binômio mãe-feto. Inclusive, tais riscos não vão acontecer, necessariamente, durante a gestação. Por vezes, as complicações surgem até após o nascimento. Confira!

Parto prematuro

Embora o diabetes gestacional não inviabilize um parto normal, existe um risco muito grande de prematuridade. Tal risco chega a ser 6 vezes maior quando comparado às gestantes que não apresentaram o quadro.

Vale lembrar que a prematuridade retrata uma gravidez que não atingiu 37 semanas. Além disso, representa fator de risco para outras condições, o que deve redobrar a atenção nos primeiros meses de vida.

Hipoglicemia neonatal

Imagine só como é para o baby viver durante semanas em um ambiente hiperglicêmico. Como a função pancreática está boa, ele consegue suprir a necessidade de insulina sem grandes esforços.

Porém, logo após o parto ele sai do ambiente majoritariamente hiperglicêmico. É nesse momento que ocorre o risco de hipoglicemia, considerando o que o organismo do pequeno estava acostumado.

Macrossomia fetal

Lembra que existe um hormônio capaz de aumentar a disponibilidade de glicose para que o feto possa crescer? Pois bem, no quadro de diabetes gestacional já existe um estado basal de hiperglicemia.

Se a condição for mal controlada, toda essa energia será captada pelo feto, podendo até ultrapassar as reais necessidades dele. Dessa forma, ele tende a crescer mais que o habitual, a ponto de aumentar o risco de macrossomia.

Aborto espontâneo

Sem dúvidas, a consequência mais temida do diabetes gestacional é o aborto espontâneo. Nesse caso, é a morte embrionária ou fetal, não induzida, antes de completar 20 semanas. Após esse período, o concepto que não resiste é considerado um natimorto.

Por isso, é tão importante diagnosticar a condição a tempo e, claro, estabelecer o tratamento adequado. Nem sempre é possível prevenir a diabetes gestacional, mas o diagnóstico e o manejo são fundamentais para afastar complicações.

Diabetes mellitus

Como assim a diabetes gestacional oferece risco para diabetes mellitus? Não é tudo a mesma coisa? Não! Lembre-se do conceito: o quadro gestacional desaparece logo após o parto.

Porém, para aquelas gestantes que desenvolveram a condição, existe um risco a mais de desenvolver diabetes mellitus tipo 2 ao longo da vida. Então, atenção redobrada mesmo no pós-parto, certo?

Como prevenir essa doença

A prevenção da diabetes gestacional começa antes mesmo da gestação. Nessa perspectiva, estamos falando de combater fatores de risco, como sedentarismo, excesso de peso e gordura corporal central.

São esses os principais fatores de risco evitáveis, ou seja, que a mulher pode exercer controle antes de engravidar. Curiosamente, mesmo que desenvolva diabetes gestacional, são fatores que podem ser combatidos para evitar complicações.

Pré-natal

Antes de qualquer coisa, é preciso fazer um bom pré-natal. Se esse for o primeiro passo, o caminho seguinte é seguir corretamente as indicações de exames ao longo dos semestres.

Dessa forma, logo na primeira consulta é possível iniciar a investigação da hiperglicemia. Não se esqueça, também, dos outros tantos exames necessários para diagnosticar outras condições e evitar complicações em mãe e baby.

Acompanhamento nutricional

Vimos, também, que a preocupação inicial após o diagnóstico de diabetes gestacional é o cuidado com a alimentação. Na verdade, esse cuidado deve sempre ocorrer, mas agora se faz mais que essencial.

No mais, nossa maior dica é que a gestante não siga dicas leigas sobre o tema, mas que procure ajuda de profissionais especializados. Isso porque tanto o excesso de alimentos como a carência nutricional podem acarretar em complicações para o binômio mãe-baby.

Prática de exercícios físicos

Na área da saúde, uma alimentação saudável quase sempre deve caminhar junto de atividades físicas. Agora, mais que nunca, também é necessário um profissional especializado para orientar corretamente as atividades.

O excesso de treinos ou movimentos inapropriados podem sim oferecer riscos para a gravidez. Por isso, é preciso estabelecer metas para as atividades, bem como limites, de modo que elas sejam um benefício em vez de um risco.

Já está expert em diabetes gestacional? Buscamos repassar as principais informações que a população geral deve saber sobre o assunto. A grande lição que fica é a importância de diagnosticar e tratar o quanto antes. Por fim, vamos ressaltar a importância de seguir as orientações médicas e levar sempre a verdade para os profissionais. Só assim é possível manejar o quadro de maneira adequada e evitar as complicações da condição.

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