Diabetes e Hepatite C: entenda essa perigosa relação

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Certamente você deve ter ouvido falar sobre hepatite. Na verdade, esse é um termo genérico para se referir às doenças que provocam inflamação do fígado, gerando consequências como cirrose, esteatose hepática e até mesmo transplante do órgão.

As hepatites virais são ainda mais conhecidas, principalmente os tipos A, B e C. Dentre elas, o tipo C é o mais preocupante para desenvolvimento de doenças metabólicas, sendo que o diabetes está entre elas.

Diante da prevalência da infecção, é fundamental que a população seja conscientizada sobre a importância do diagnóstico precoce, pois assim evita a perigosa associação entre diabetes e hepatite C.

Qual o panorama da hepatite C no mundo?

A hepatite C é uma doença causada pelo vírus do gênero Hepacivirus. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 170 milhões de pessoas no mundo são infectadas pelo vírus, apresentando a forma crônica da doença.

Na verdade, essa é uma característica muito importante quando se trata de hepatite C: a condição se manifesta de forma crônica. A progressão da doença dura, em média, de 25 a 30. Sendo assim, há uma demora para desenvolvimento de manifestações clínicas usuais.

O principal motivo disso é a grande capacidade que o fígado tem de se regenerar. Porém, mesmo com essa especificidade do órgão, a hepatite C representa a indicação de transplante hepático mais frequente. Para piorar o panorama, 70% das pessoas infectadas não sabem que estão contaminadas.

O que a doença provoca no fígado?

O fígado é um órgão com papel regulador muito importante no organismo. De fato, sua função mais conhecida é a de desintoxicação, ou seja, é responsável por metabolizar as substâncias ingeridas, como medicamento, álcool, dentre outras.

Porém, o fígado tem outra função essencial: regular o metabolismo de lipídios, popularmente conhecidos como gorduras. Além disso, também tem participação no metabolismo energético e, junto com o pâncreas, desempenha atividades para estocar ou gastar glicose.

Voltando então para a hepatite C, um indivíduo infectado tem as células do fígado contaminadas pelo vírus, que começam a se reproduzir no interior delas. O microrganismo tem a capacidade de modular o metabolismo das gorduras e, assim, favorecer sua própria replicação.

O impacto disso é aumentar a lipogênese, ou seja, aumentar tanto em número como também em tamanho as gotinhas de gordura que existem dentro do fígado. Esse quadro é conhecido popularmente como “gordura no fígado” ou também esteatose hepática.

Qual a relação entre diabetes e hepatite C?

Mas como a atuação do vírus está associada com a maior incidência de diabetes? Para entender isso, precisamos esclarecer o que é a resistência à insulina.

O que é a resistência à insulina?

Quando comemos, os alimentos pertencentes ao grupo de carboidratos, principalmente, são convertidos em glicose quase que em totalidade. Essa glicose é um substrato essencial para a produção de energia. Mas para isso ela precisa ser captada da corrente sanguínea e introduzida em uma célula.

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e tem como função realizar essa captura e transporte da glicose para o interior da célula. Em indivíduos com diabetes, a produção de insulina é ausente ou em quantidades insuficientes.

No caso do diabetes tipo 2, cuja quantidade de insulina é insuficiente para a demanda, observa-se que essa insuficiência é decorrente da resistência ao hormônio. Em outras palavras, a resposta ao hormônio foi diminuindo ao longo do tempo, criando então uma resistência a ele.

Como o vírus aumenta a resistência?

O vírus da hepatite C aumenta o risco de desenvolver diabetes pois altera as vias metabólicas da insulina. Sendo assim, a atuação do hormônio fica prejudicada justamente pelo ambiente de resistência gerado.

Dentre as alterações provocadas pelo vírus, podemos citar:

  • inibição dos sinais celulares gerados pela insulina;
  • estresse oxidativo;
  • maior ativação de fatores inflamatórios;
  • disfunção das células produtoras de insulina.

De forma prática, o corpo libera determinada quantidade de insulina para manter a glicemia em valores adequados. Porém, como as células estão resistentes à atuação do hormônio, o pâncreas entende que deve liberar ainda mais insulina para suprir as necessidades.

Com o passar do tempo, a demanda excessiva faz com que as células produtoras de insulina entrem no processo de morte celular. Consequentemente, a produção insuficiente aumenta a propensão para desenvolvimento de diabetes.

A esteatose hepática provocada pelo vírus associado ao diabetes causa a chamada obesidade visceral, que representa o aumento de gordura no órgão. Vale ressaltar que a prevalência de diabetes tipo 2 é maior na hepatite C quando comparada aos outros tipos.

Por fim, além da esteatose, há uma aceleração no processo de fibrose hepática e, consequentemente, cirrose. Complementando, também há risco elevado para desenvolver hepatocarcinoma — câncer de fígado.

Qual a importância do diagnóstico em tempo hábil?

Como visto, a maioria das pessoas que estão infectadas pelo vírus da hepatite C não sabem que estão contaminadas. Portanto, o primeiro passo é tomar medidas para a identificação da doença.

Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Diabetes mobilizou a população para uma campanha chamada Na Ponta do Dedo. Assim, foram realizados testes rápidos anti-HCV, capaz de diagnosticar o vírus.

Uma vez identificada a infecção, é preciso analisar se a resistência à insulina já está estabelecida. Caso esteja, o manejo é feito principalmente por meio da metformina, um medicamento cujo uso é difundido no tratamento de diabetes.

Vale ressaltar que a orientação médica deve considerar o grau de acometimento do fígado. Em paciente com insuficiência hepática grave, por exemplo, o uso da metformina é contraindicado.

Porém, caso seja permitido seu uso, alguns benefícios já foram comprovados, como:

  • vantagens diante da resposta do vírus;
  • redução da progressão para hepatocarcinoma;
  • diminuição de óbitos por disfunção hepática;
  • menor ocorrência de transplante de fígado.

Vale ressaltar que, além de diminuir os casos de câncer de fígado, ainda aumentou a sobrevida de pessoas que já haviam desenvolvido. Para combater o vírus diretamente, é feito o uso de antivirais.

Diante dos riscos existentes na perigosa relação entre diabetes e hepatite C, o ponto-chave é detectar em tempo hábil a infecção pelo vírus. Para isso, devem ser adotadas medidas preventivas nos dois âmbitos: realizando testes capazes de detectar a infecção e, em indivíduos infectados, realizando exames capazes de fornecer diagnóstico de diabetes. Uma vez confirmadas as condições, as condutas logo devem ser colocadas em prática, seja por meio de medicamentos, seja estimulando melhores hábitos de vida, como controle do colesterol e interrupção do consumo de bebidas alcoólicas.

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