Diabetes e cicatrização: saiba o que fazer para tratar feridas

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Quem nunca ouviu falar sobre diabetes? Sem dúvida, essa condição cada vez mais prevalente na sociedade tem direcionado sua população para uma mudança de hábitos. Mas o que acontece quando o tratamento não é aderido? E se o nível glicêmico permanecer elevado?

Nesses casos as complicações se manifestam, seja a longo prazo, seja a curto. Uma delas é a cicatrização deficiente, que resulta, principalmente, em ulcerações. Já dá para imaginar o impacto disso na vida das pessoas, certo?

Pensando justamente nisso, vamos falar um pouco mais sobre a relação entre diabetes e cicatrização, esclarecendo sobre o processo e sobre maneiras de minimizar o impacto. Confira!

Como ocorre o processo de cicatrização

Antes de falarmos por que a diabetes atrapalha o processo de cicatrização, vamos entender quais são as etapas envolvidas nele. Acompanhe!

Fase inflamatória

Quando a sua pele perde a continuidade, como nos casos de corte ou machucados, as células do seu organismo se mobilizam para estancar o sangramento e garantir que a pele retorne ao estado anterior. Esse processo, chamado de hemostasia, busca manter o fluxo sanguíneo de forma a controlar a coagulação e a hemorragia.

As primeiras células envolvidas nisso são as plaquetas, que estão presentes no sangue e a todo momento checam a integridade dos vasos. Quando identificam uma lesão, elas se aderem ao local e se agregam umas às outras. Nisso, há a liberação de uma série de fatores pró-inflamatórios, os quais vão mobilizar cada vez mais células no processo inflamatório.

Concomitante a isso existe a formação de fibrina, uma proteína que, junto às plaquetas e hemácias, forma coágulos. E são esses coágulos que impedem a continuidade da hemorragia.

Fase de proliferação

A fase de proliferação é o momento de recuperar a integridade que a pele perdeu durante a lesão. E, para isso, depende diretamente de um ambiente ideal para a proliferação de algumas células importantes.

Você já deve ter ouvido sobre o colágeno, certo? Ele é uma das estruturas que garante a consistência da pele, além das células chamadas de fibroblastos. O oxigênio também é fundamental nessa etapa, bem como os demais nutrientes encontrados na corrente sanguínea.

Fase de remodelamento

Por fim, após a deposição de colágenos e fibroblastos, começa o remodelamento do local lesionado. Nesse momento, as estruturas em excesso sofrem o processo natural de morte celular. Assim, aos poucos, a pele vai adquirindo a aparência que apresentava antes.

Como a glicemia influencia esse processo

Agora que você já entende como ocorre a cicatrização, passo a passo, podemos explicar como a hiperglicemia prejudica esse processo.

Lembra-se das células envolvidas na formação do coágulo? Uma delas é a hemácia, cuja função principal é transportar oxigênio. Por isso, é de suma importância que o seu fluxo pelos vasos seja mantido, tanto para formação do trombo como para não deixar o interior do vaso deficiente de oxigênio.

Para desempenhar tão bem esses papéis, a hemácia precisa de energia, que é obtida por meio da glicose. As moléculas de glicose, por sua vez, são muito pesadas. Então, quando em excesso, resultam em uma hemácia mais densa, com maior dificuldade para manter seu fluxo pelos vasos.

Essa locomoção mais densa dificulta o processo de cicatrização, pois causa prejuízos na quantidade de oxigênio disponível na região lesionada, além de dificultar a captação da hemácia para compor o coágulo. Esse impacto negativo ocorre na fase inflamatória e proliferativa.

Outra complicação que a hiperglicemia causa na hora da cicatrização é a isquemia, ou seja, a diminuição da disponibilidade de oxigênio. A consequência disso é a diminuição, também, do óxido nítrico, cujo papel é aumentar o fluxo sanguíneo e combater as moléculas reativas do oxigênio. Tais moléculas, quando presentes, causam injúrias teciduais — isto é, danificam outras células — podendo contribuir ainda mais para uma cicatrização ineficaz.

Quais partes do corpo são mais difíceis de cicatrizar

De fato, quando falamos de diabetes e cicatrização, estamos lidando com uma dificuldade global de recuperar a integridade dos tecidos lesados. Além disso, porém, uma das complicações mais prevalentes é o pé diabético, que envolve alterações neurológicas, vasculares e de cicatrização.

Na verdade, essa condição é definida pela destruição dos tecidos moles, devido a alterações neurológicas e vasculares dos membros inferiores — as quais também se associam a infecções e ulcerações. E a gravidade disso pode ser vista em números: as úlceras precedem 85% dos casos de amputações.

O comprometimento das fibras nervosas faz com que, aos poucos, a pessoa perca a sensibilidade nos membros inferiores. Além disso, há um enfraquecimento muscular e o surgimento de fissuras. E todos esses fatores favorecem o surgimento de úlceras.

Sem dúvidas, essa condição é um problema sério de saúde pública e, se não tratada, pode resultar em um prejuízo importante na qualidade de vida de uma pessoa com diabetes.

Como minimizar os impactos da diabetes na cicatrização

Considerando o que foi abordado até aqui, o primeiro passo para não sofrer com uma cicatrização prejudicada é manter os níveis de açúcar no sangue em valores adequados. Isso não afasta apenas a complicação das úlceras, mas também evita danos visuais, renais, cardiovasculares, dentre outros.

Uma vez que seja percebida uma ulceração, é preciso classificá-la. Assim, é possível identificar se o problema base é neurológico ou vascular. Em seguida, deve ser feita uma avaliação em busca de infecções; se houver, é fundamental tratá-las imediatamente, de acordo com sua gravidade.

Seja como for, o acompanhamento médico é indispensável para saber quais são os níveis ideais de açúcar no seu sangue e minimizar possíveis danos em nervos e vasos — além de receber orientações para evitar recidivas das úlceras, como o uso de calçados adequados.

Em suma, mais importante que tratar a condição é evitar o seu aparecimento. A hiperglicemia não impacta apenas a cicatrização; na verdade, diversos órgãos são prejudicados por ela. Considerando o tratamento, é necessário um trabalho multidisciplinar, com auxílio da equipe de enfermagem, a fim de manter os cuidados necessários com as lesões e evitar o desenvolvimento de infecções ou, em casos mais graves, de amputações.

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