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Diabetes e cicatrização: saiba o que fazer para tratar feridas

Diabetes e cicatrização: saiba o que fazer para tratar feridas

10 minutos para ler

Quem nunca ouviu falar sobre diabetes e cicatrização ? A patologia é cada vez mais prevalente na sociedade. Segundo o IDF, existem aproximadamente 500 milhões de adultos diagnosticados com essa doença em todo planeta. Diante disso, os profissionais da saúde precisam direcionar a população para uma mudança de hábitos.

Mas o que acontece quando isso não ocorre e a pessoa com diabetes não adere ao tratamento? E se o nível glicêmico permanecer elevado? Nesses casos, as complicações se manifestam, seja a longo prazo, seja a curto. Uma delas é a cicatrização deficiente, que resulta, principalmente, em ulcerações. Já dá para imaginar o impacto disso na vida das pessoas, certo?

Pensando justamente nisso, vamos falar um pouco mais sobre a relação entre diabetes e cicatrização, esclarecendo sobre o processo e sobre maneiras de minimizar o impacto. Confira!

Como ocorre o processo de cicatrização

Antes de falarmos por que a diabetes atrapalha o processo de cicatrização, vamos entender quais são as etapas envolvidas nele. Acompanhe!

Fase hemostasia

A fase inicial do processo de cicatrização é a hemostasia, que ocorre logo após o ferimento. Ela é caracterizada pela contração dos vasos sanguíneos, que fazem isso para estancar o sangramento. Para evitar a entrada de microorganismos indesejados na ferida, como bactérias, o seu corpo forma um coágulo. Ele é formado pelas hemácias, cuja uma das funções é ajudar na defesa do organismo.

Em resumo, a pele pode perder a continuidade, como nos casos de corte ou machucados. Nesse caso, as células do organismo se mobilizam para estancar o sangramento e garantir que a pele retorne ao estado anterior. Esse processo, chamado de hemostasia, busca manter o fluxo sanguíneo de forma a controlar a coagulação e a hemorragia.

Fase inflamatória

Quando a sua pele perde a continuidade, como nos casos de corte ou machucados, as células do seu organismo se mobilizam para estancar o sangramento e garantir que a pele retorne ao estado anterior. Esse processo, chamado de hemostasia, busca manter o fluxo sanguíneo de forma a controlar a coagulação e a hemorragia.

As primeiras células envolvidas nisso são as plaquetas, que estão presentes no sangue e a todo momento checam a integridade dos vasos. Quando identificam uma lesão, elas se aderem ao local e se agregam umas às outras. Nisso, há a liberação de uma série de fatores pró-inflamatórios, os quais vão mobilizar cada vez mais células no processo inflamatório.

Concomitante a isso existe a formação de fibrina, uma proteína que, junto às plaquetas e hemácias, forma coágulos. E são esses coágulos que impedem a continuidade da hemorragia.

Fase de proliferação

A fase de proliferação é o momento de recuperar a integridade que a pele perdeu durante a lesão. E, para isso, depende diretamente de um ambiente ideal para a proliferação de algumas células importantes.

Você já deve ter ouvido sobre o colágeno, certo? Ele é uma das estruturas que garante a consistência da pele, além das células chamadas de fibroblastos. O oxigênio também é fundamental nessa etapa, bem como os demais nutrientes encontrados na corrente sanguínea. Todos esses elementos contribuem para a regeneração da pele.

Fase de remodelamento

Por fim, após a deposição de colágenos e fibroblastos, começa o remodelamento do local lesionado. Nesse momento, as estruturas em excesso sofrem o processo natural de morte celular. Assim, aos poucos, a pele vai adquirindo a aparência que apresentava antes.

Como a glicemia influencia esse processo?

Agora que você já entende como ocorre a cicatrização, passo a passo, podemos explicar como a hiperglicemia prejudica esse processo. Confira!

Falha nas hemácias

Lembra-se das células envolvidas na formação do coágulo? Uma delas é a hemácia, cuja função principal é transportar oxigênio. Por isso, é de suma importância que o seu fluxo pelos vasos seja mantido, tanto para formação do trombo como para não deixar o interior do vaso deficiente de oxigênio.

Para desempenhar tão bem esses papéis, a hemácia precisa de energia, que é obtida por meio da glicose. As moléculas de glicose, por sua vez, são muito pesadas. Então, quando em excesso, resultam em uma hemácia mais densa, com maior dificuldade para manter seu fluxo pelos vasos.

Essa locomoção mais densa dificulta o processo de cicatrização, pois causa prejuízos na quantidade de oxigênio disponível na região lesionada, além de dificultar a captação da hemácia para compor o coágulo. Esse impacto negativo ocorre na fase inflamatória e proliferativa.

Diminuição da disponibilidade de oxigênio

Outra complicação que a hiperglicemia causa na hora da cicatrização é a isquemia, ou seja, a diminuição da disponibilidade de oxigênio. A consequência disso é a diminuição, também, do óxido nítrico, cujo papel é aumentar o fluxo sanguíneo e combater as moléculas reativas do oxigênio.

Tais moléculas, quando presentes, causam injúrias teciduais — isto é, danificam outras células — podendo contribuir ainda mais para uma cicatrização ineficaz. Afinal, a fase inflamatória e a hemostasia foram prejudicadas. Assim, também existe uma maior dificuldade para combater as infecções, o que torna a cicatrização lenta e exposta a complicações.

Como a cicatrização contribui para o surgimento da doença do pé diabético?

Você já percebeu que pessoas com diabetes têm uma maior dificuldade na cicatrização. Os profissionais da saúde explicam isso pela ausência de oxigênio e nutrientes necessários para esse processo, já que a concentração de glicose no sangue prejudicou isso. Diante desse contexto, é possível desenvolver a doença do pé diabético.

Isso ocorre porque o paciente com diabete diminui a sensibilidade nos nervos, a chamada neuropatia. Assim, é mais difícil descobrir se alguma parte do corpo foi lesionada, o que contribui para o avanço da ferida.

Esse tipo de problema é mais comum nas extremidades do corpo, como nos pés. Os médicos explicam isso também porque o tecido dessa região é mais fino. Diante disso, existe mais risco para o surgimento de infecções e ulcerações. E a gravidade disso pode ser vista em números: as úlceras precedem 85% dos casos de amputações.

Isto é, o comprometimento das fibras nervosas faz com que, aos poucos, a pessoa perca a sensibilidade nos membros inferiores. Além disso, há um enfraquecimento muscular e o surgimento de fissuras. E todos esses fatores favorecem o surgimento de úlceras.

Sem dúvidas, essa condição é um problema sério de saúde pública e, se não tratada, pode resultar em um prejuízo importante na qualidade de vida de uma pessoa com diabetes. É importante ficar de olho nisso porque as feridas ocasionadas na região ocorrem corriqueiramente. Por exemplo, ao usar calçado apertado, lesionar com pregos, pedras, objetos cortantes etc.

Quais são os tipos de feridas diabéticas?

Para entender melhor sobre a relação da diabetes com a cicatrização, conheça os tipos de feridas diabéticas ocasionadas!

Feridas neuropáticas

Trata-se do tipo de ferida intensificada quando o paciente perde a sensibilidade nos nervos. Então, ele tende a não perceber a fricção entre os pés e o calçado, por exemplo, e nem qualquer outro impacto no corpo. Logo, o paciente demora a perceber o problema e a buscar o tratamento adequado.

Feridas vasculares

Nesse caso, as feridas são ocasionadas em razão de doenças vasculares e periféricas, que prejudicam a circulação arterial. Diante desse contexto, o organismo pode ter dificuldade para circulação sanguínea. Assim, as consequências tendem a ser a necrose dos tecidos, infecção e até mesmo amputação. Quando isso ocorre, partes do corpo, como o pé, tendem a ficar pálidas e frias.

Feridas mistas

Em algumas situações a pessoa com diabetes sofre com os dois tipos de feridas, as vasculares e as neuropáticas. Nesse caso, o quadro é chamado de ferida mista.

Como minimizar os impactos da diabetes na cicatrização?

Considerando o que foi abordado até aqui, o primeiro passo para não sofrer com uma cicatrização prejudicada é manter os níveis de açúcar no sangue em valores adequados. Isso não afasta apenas a complicação das úlceras, mas também evita danos visuais, renais, cardiovasculares, dentre outros.

Uma vez que a pessoa perceba uma ulceração, é preciso classificá-la. Assim, é possível identificar se o problema base é neurológico ou vascular. Em seguida, deve ser feita uma avaliação em busca de infecções; se houver, é fundamental tratá-las imediatamente, de acordo com sua gravidade.

Seja como for, o acompanhamento médico é indispensável para saber quais são os níveis ideais de açúcar no seu sangue e minimizar possíveis danos em nervos e vasos — além de receber orientações para evitar recidivas das úlceras, como o uso de calçados adequados.

Considerando o tratamento, é necessário um trabalho multidisciplinar, com auxílio da equipe de enfermagem, a fim de manter os cuidados necessários com as lesões e evitar o desenvolvimento de infecções ou, em casos mais graves, de amputações.

Como evitar feridas diabéticas?

Em suma, mais importante que tratar a condição é evitar o seu aparecimento. Isso porque a hiperglicemia não impacta apenas a cicatrização; na verdade, diversos órgãos são prejudicados por ela. Logo, é importante garantir o controle da doença.

Isso é possível ao manter hábitos saudáveis, como uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos, realizar exames periódicos, evitar fumar e beber álcool etc. Tudo isso é útil para a pessoa conseguir controlar os níveis glicêmicos e evitar complicações, como dificuldade na cicatrização de feridas.

Além disso, existem cuidados específicos com os pés que a pessoa com diabetes pode seguir. É o caso do próprio paciente inspecioná-lo frequentemente para identificar alterações. Isso é válido tanto para pequenas feridas quanto para as maiores. E ainda, garanta a higienização dos pés, o corte frequente das unhas e o uso de sapatos apropriados.

Entendeu qual é a relação entre diabetes e cicatrização? A doença exige cuidados adequados para que o paciente não sofra complicações. Como visto, uma vez que elas avançam fica mais difícil pensar em um tratamento. Portanto, siga as recomendações citadas.

Gostou da leitura? Agora que você entendeu qual é a relação entre diabetes e cicatrização, deixe um comentário com sua visão ou dúvida sobre o assunto. Vamos ajudá-lo no que for possível!

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