Diabetes e bebida alcoólica: conheça os cuidados necessários

7 minutos para ler

Quando uma pessoa se depara com o diagnóstico de diabetes, diversas situações podem passar pela cabeça dela. As mais comuns estão relacionadas com a mudança de hábitos, principalmente quando isso indica restrições.

A alimentação, por exemplo, é um dos principais aspectos a serem ajustados. Junto a ela, a prática de exercícios físicos também é incentivada. Mas, e o consumo de bebidas alcoólicas? Ele é proibido?

A resposta para essa pergunta requer uma análise aprofundada, mas já adiantamos que não, ou seja, diabetes e bebida alcoólica é uma combinação possível de acontecer. Agora, continue a leitura e entenda melhor sobre isso!

Entenda o panorama geral do consumo de álcool

Antes de entrar de fato na relação entre a condição e o consumo, é preciso compreender o que está associado à ingestão de bebidas alcoólicas. De fato, o alcoolismo é uma epidemia mundial de saúde pública e, diante de tamanha abrangência, o olhar deve retroceder um pouco.

Em outras palavras, antes de pensar nas consequências, precisamos analisar as causas. O que leva o indivíduo a beber? O que ele procura na bebida? Qual a relação de recompensa e prazer depositada no consumo?

Diante de tamanha complexidade, seria muito equivocado apenas determinar a proibição do álcool sem uma análise profunda do que está envolvido no contexto.

Pensando em dados, as estatísticas revelam que a prevalência do consumo é de 74,6% na população. Analisando especificamente adultos diabéticos, os índices retratam uso das substâncias em 50,8% das pessoas.

O efeito psicodepressor e hipnótico proporcionado, quando associado à sensação prazerosa, torna um pouco difícil a abolição total do uso. Sendo assim, a alternativa mais buscada é a educação em saúde. Por meio dela, torna-se possível que as pessoas compreendam os riscos e os benefícios do álcool, bem como o caminho para que o consumo não seja algo prejudicial.

Quando o diabético entende que o problema não é a ingestão de álcool em si, mas sim as quantidades ingeridas, há maior chance de redução delas e, com isso, há também maior adesão ao tratamento.

Sendo assim, que tal entender como atingir o equilíbrio entre os riscos e os benefícios?

Conheça os riscos das bebidas alcoólicas

Começando pelos riscos, sabemos que eles envolvem os mais diversos órgãos e sistemas do organismo. Porém, vamos entender melhor aquilo relacionado com diabetes, ou seja, o paradoxo que o álcool gera no controle da glicemia.

Você sabia que uma das funções do fígado é metabolizar substâncias? Isso quer dizer que ele desativa alguns compostos, que vão desde os medicamentos até o componente etílico das bebidas. Após a metabolização, eles são excretados, seja pelo suor, seja pela urina, por exemplo.

Então, quando é feito o consumo de álcool, o fígado inicia o processo de desativação das substâncias. Contudo, ele trabalha da seguinte maneira: metaboliza a dose de 1 drink a cada 2 horas. Pensando em velocidade e quantidade, seria essa a realidade do consumo?

Sabemos que, muitas vezes, ele é superior a isso. Portanto, aquilo que não está sendo metabolizado pelo fígado continua na corrente sanguínea, causando efeitos como:

  • tontura;
  • desinibição;
  • diminuição da capacidade de raciocínio;
  • euforia.

Além de fazer a metabolização das substâncias, o fígado tem importante papel no controle da glicemia. Quando ele detecta que o nível glicêmico está baixo, ou seja, em hipoglicemia, ele direciona suas reservas para o sangue, além de atuar produzindo açúcar.

Então, pense na situação de consumo alcoólico em jejum: os níveis de glicose estão baixos, o fígado precisa regular a situação, mas, ao mesmo tempo, necessita metabolizar o álcool ingerido. O resultado disso é a hipoglicemia.

Por outro lado, imagine a situação do consumo de bebidas associado à alimentação, seja em um churrasco, seja com petiscos. Geralmente, os alimentos apresentam alto teor de carboidratos e, como o álcool também tem essa característica, os níveis glicêmicos sobem rapidamente. Isso também é não o ideal para quem apresenta diabetes.

Portanto, sabemos que existem riscos em relação ao diabetes quando se consome bebida alcoólica. Quem possui esta condição precisa andar com um glicosímetro sempre por perto para verificar os níveis de glicose quando necessário. Os momentos ideais para medir a glicemia em uma festa são antes de comer e beber, durante a festa e após, para evitar sustos desnecessários.

Até então, os riscos foram apenas a curto prazo. Mas e a longo prazo? Qual o impacto do álcool? Os riscos cardiovasculares aumentam muito, principalmente se tratando de hipertensão arterial. Além disso, há ganho de peso e piora de quadros de neuropatia, havendo, portanto, contraindicação para diabetes já com complicações.

Descubra os benefícios das bebidas

Mas o consumo de álcool só está relacionado com malefícios? Não, a ingestão em quantidades adequadas representa alguns fatores protetores para diversas condições. Segundo a revista Diabetes Care, há redução em 30% do risco de desenvolver diabetes. Neste caso, o consumo ideal não deve ultrapassar 48 g por dia.

E quem já tem diabetes? É possível obter algum benefício? É possível melhorar a sensibilidade à insulina, principal responsável pela captação de glicose. Então, caso o consumo seja de até 30 g para quem já tem a condição, a consequência é o melhor controle glicêmico.

Complementando, mais importante que melhorar a sensibilidade ao hormônio é fazer isso sem prejudicar as células pancreáticas, responsáveis pela sua secreção. A lipólise, ou seja, quebra de gorduras, secreta substâncias que inflamam o tecido pancreático. Em quantidades adequadas e mantidas, o álcool pode diminuir tal quebra.

É importante salientar que há elevado número de mortalidade em diabéticos devido aos eventos cardiovasculares. Em idosos, o consumo de 14 g, em média, reduz em 80% eventos isquêmicos cardíacos, ou seja, infartos.

Saiba quais as quantidades adequadas

No decorrer do artigo, por diversas vezes ressaltamos a importância da quantidades adequadas. Agora vamos indicar quais são elas, baseando sempre no que é preconizado pela Sociedade Brasileira de Diabetes.

No geral, o indicado é 1 dose para mulheres e 2 doses para homens. Mas, o que é uma dose? Cada bebida tem isso especificado, sendo:

  • cerveja: 360 mL;
  • vinho: 150 mL;
  • bebidas destiladas: 45 mL.

Além disso, existem algumas recomendações importantes. A primeira delas é não ingerir em jejum, ou seja, esteja alimentado antes do consumo. Não se esqueça de se hidratar com água, principalmente quando estiver ingerindo bebidas alcoólicas.

Falando especificamente da cerveja, ela é uma bebida com elevado teor alcoólico e de carboidratos. Considerando que as artesanais podem conter até o dobro de ambas as substâncias, evite o consumo delas.

Por fim, salientamos que diabetes e bebida alcoólica é uma condição totalmente possível, desde que o consumo seja em quantidades indicadas. Embora elas tenham sido devidamente determinadas, é fundamental seguir a orientação médica, visto que o profissional analisa as especificidades de cada caso. A educação em saúde é necessária para atingir bons resultados, mas caso não seja feito o consumo prévio, é orientado que ele não seja incentivado.

Você sabia que na Winsocial quem tem diabetes também pode ter seguro de vida? Faça uma simulação aqui.

Comentários

Você também pode gostar

Deixe uma resposta

-