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Como fica a amamentação após câncer de mama?

Como fica a amamentação após câncer de mama?

7 minutos para ler

O câncer de mama é, atualmente, uma condição que mais afeta as mulheres em todo o mundo, ficando atrás somente do câncer de pele, e pode causar consequências negativas de diversas formas na saúde, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Muitas mulheres diagnosticadas com câncer de mama sonham em ser mães e costumam ter muitas dúvidas sobre como será o processo de amamentação durante ou após o tratamento. 

De fato, algumas adaptações são necessárias às pacientes e seus bebês, pois o tratamento desse tipo de doença crônica pode envolver procedimentos agressivos que interferem no aleitamento por um tempo, como cirurgias, radioterapias e quimioterapias. 

Neste artigo vamos esclarecer as principais dúvidas sobre amamentação após câncer de mama, destacando se é possível amamentar durante e/ou após o tratamento da doença e se o procedimento pode interferir na produção de leite. Acompanhe a leitura e saiba mais!

É possível amamentar durante e/ou após o câncer de mama? 

Quando as mulheres apresentam a condição durante a fase de lactação, não há evidências que confirmem riscos para o bebê na ingestão do leite materno. Contudo, podem haver algumas restrições, dependendo da etapa do tratamento: se for cirúrgico, quimioterápico ou radioterápico. 

Por exemplo, algumas medicações de quimioterapia e radioterapia podem ser passadas por meio do leite. Por isso, o ideal é suspender temporariamente o aleitamento materno, já que há risco de neutropenia infantil — uma condição que ocasiona uma redução ou falta completa de células do sangue que defendem o corpo contra infecções.

Após o tratamento contra o câncer, na maioria dos casos, a amamentação pode retornar se não houver comprometimento dos canais do leite. Além disso, se a doença tiver sido em apenas uma das mamas, a outra continuará produzindo leite normalmente. Em qualquer situação, o mais indicado é sempre conversar com o médico responsável.

O tratamento pode interferir na produção de leite?

Os tratamentos radioterápicos e as intervenções cirúrgicas podem impactar a produção de leite das mulheres, dificultando a amamentação após câncer de mama.  

Quando o tratamento do câncer de mama envolve a radioterapia, a produção de leite fica comprometida porque a irradiação prejudica as células responsáveis. Além disso, a modalidade também pode provocar alterações na elasticidade do aréolo-mamilar, que dificulta a pega do bebê.

No caso de retirada de parte da mama, é possível amamentar após o tratamento desde que não sejam afetadas as estruturas responsáveis pela produção e transporte do leite. No entanto, se o tratamento incluir a mastectomia total, a mama e os ductos mamários devem ser retirados. Logo, a mulher não conseguirá amamentar o bebê, mesmo que a mama seja reconstruída com cirurgia.

Já no caso dos medicamentos, o tratamento pode ser incompatível com o período de lactação ou produzir efeitos de diminuição na produção de leite. Dessa forma, a amamentação deve ser suspensa durante a utilização do medicamento e, caso seja compatível, pode ser complementada com leite artificial.

Quais as principais dúvidas relacionadas à amamentação e ao câncer de mama?

Além das informações apresentadas, separamos algumas dúvidas a respeito da relação entre amamentação e esse tipo de tumor. Confira a seguir!

Existe algum sintoma diferente do câncer de mama na mulher que amamenta? 

Em geral, não. O câncer de mama se apresenta sob a forma de um caroço, quando está palpável. No período da amamentação, pode surgir uma certa dificuldade na identificação do nódulo por causa do aumento e inchaço da mama, já que ela se modifica, fica mais túrgida e cheia de leite. Contudo, a maioria das mulheres consegue perceber por meio do autoexame se há a presença do caroço.

Existem riscos para o bebê?

Não existem indícios de que o câncer de mama apresente impacto direto sobre o bebê. 

Mas, como dito anteriormente, dependendo da medicação e do tipo de tratamento utilizado para combater o câncer, há riscos para o bebê, porque algumas medicações podem chegar ao leite materno. Por isso, a amamentação é contraindicada durante essa fase. De todo modo, tem que ser analisado caso a caso.

É possível engravidar depois do câncer de mama?

Alguns tratamentos contra o câncer de mama, como quimioterapia, hormonioterapia ou terapia alvo, podem afetar tanto o desenvolvimento do feto quanto a fertilidade da mulher. A quimioterapia, por exemplo, pode afetar os ovários e causar infertilidade em algumas situações.

Por isso, antes de iniciar o tratamento, converse com o profissional sobre as alternativas e saiba quanto tempo esperar para engravidar. Em algumas situações, as pacientes são liberadas para gravidez dois anos após o início do tratamento. Em outros, depois de cinco anos, tudo depende do tipo de medicação que ela está tomando.

Existe algum risco de a gravidez e de a amamentação provocarem a recidiva da doença?

Como muitos tipos de câncer são sensíveis ao hormônio estrogênio, há uma preocupação de que, para a mulher que teve a doença, os altos níveis hormonais provenientes de uma gravidez possam aumentar a chance de recidiva.

Porém, alguns estudos mostram que a gravidez não aumenta o risco do reaparecimento da doença após o tratamento bem-sucedido. Além disso, não existem evidências de que o aleitamento materno aumenta esse risco após o tratamento. Pelo contrário, muitas pesquisas apontam que a amamentação reduz a recidiva.

Amamentar ajuda a combater o câncer de mama?

Sim, a amamentação é um dos fatores que protegem a mulher da doença, porque, no processo de amamentação, há uma renovação e maturação celular. Portanto, além de ser crucial para o desenvolvimento do bebê, o aleitamento materno também traz vantagens nesse sentido.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), mulheres que amamentam por mais de um ano apresentam 4,3% menos chances de desenvolver tumores na região da mama, o que reduz o risco de câncer de mama. Isso ocorre porque o nível de estrogênio no organismo da mulher não aumenta durante a amamentação, e o hormônio é o responsável por promover o surgimento e o crescimento desse tumor.

Por esse motivo, a amamentação é um dos fatores que protegem as mulheres da doença. Mas, a adoção de hábitos de vida saudáveis protegem a mulher desse tipo de condição, como:

  • ter uma boa alimentação;
  • não fumar;
  • praticar exercícios físicos;
  • manter-se com o peso adequado;
  • evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

Esperamos que você tenha esclarecido as suas dúvidas a respeito da amamentação após câncer de mama. Lembre-se de que os exames de rotina são essenciais na prevenção da doença e permitem um diagnóstico do câncer.

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