Neuropatia diabética: o que é como tratar da melhor forma?

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O diabetes é uma condição cada vez mais prevalente na sociedade. Seja o tipo 1, seja o tipo 2, fatores genéticos e ambientais são determinantes para o desenvolvimento e a manutenção da hiperglicemia. Porém, o risco torna-se maior quando o manejo dos níveis glicêmicos não é feito de maneira adequada.

Nesses casos, o organismo é submetido a um estado metabólico prejudicial, capaz de provocar uma série de complicações sistêmicas, as quais atingem diferentes órgãos-alvo. A neuropatia diabética é um dos exemplos mais comuns disso.

Portanto, vamos esclarecer o que de fato é essa condição, bem como os sintomas e os tratamentos disponíveis. Continue a leitura!

Quais são as complicações do diabetes?

Como dito, o diabetes representa a manutenção dos elevados níveis de glicose no sangue. Isso resulta em transformações na estrutura dos vasos sanguíneos, que tornam-se mais permeáveis, ou seja, há a saída de conteúdo do seu interior.

Na retina, por exemplo, pode causar o edema macular diabético, prejudicando diretamente a acuidade visual. Por outro lado, nos rins, pode resultar no quadro crônico de insuficiência renal. Nas artérias, principalmente dos membros inferiores, pode prejudicar o fluxo sanguíneo.

Por fim, as complicações vão além de acometimentos vasculares, acometendo também as fibras nervosas. Dessa forma, a neuropatia diabética representa uma complicação comum do diabetes descompensado.

O que é a neuropatia diabética?

Quando se trata de neuropatias diabéticas, não estamos falando de apenas uma forma de complicação, mas sim de uma série de condições que envolvem estruturas nervosas de todo o organismo. De fato, é uma complicação comum, que afeta mais de 50% dos pacientes com diabetes.

Para o diagnóstico, é preciso considerar que existem várias neuropatias que não são decorrentes do diabetes. Portanto, devem ser investigadas doenças metabólicas e sistêmicas, bem como infecções e inflamações. Distúrbios nutricionais, como intoxicação por drogas e metais pesados, também geram problemas neurais. Em suma, o diagnóstico de neuropatia diabética é feito por exclusão.

Embora a manifestação seja mais acentuada nos membros inferiores, principalmente no pé diabético, não podemos nos esquecer de que os nervos são estruturas presentes em todo o organismo, responsáveis por transmitir impulsos nervosos aos mais diversos órgãos.

Quais são os tipos de neuropatia?

Considerando a função dos nervos no organismo e sua distribuição, as neuropatias podem ser classificadas de acordo com as fibras nervosas envolvidas. Veja a seguir!

Polineuropatia difusa simétrica

A polineuropatia difusa simétrica é a forma mais comum da neuropatia diabética. Nesse caso, a principal manifestação é a ausência de dor mesmo após a estimulação dos receptores responsáveis por esse tipo de sensibilidade.

Porém, há o relato de outros tipos de problema, como parestesia, representada pelo formigamento da região, ou mesmo hiperestesia, que é o estado no qual estímulos simples são interpretados como dolorosos.

A maioria dos pacientes não apresenta sintomas, mas cerca de 10% dos casos podem ser incapacitantes. Nas ocorrências mais graves, a dor pode provocar insônia ou mesmo cãibras musculares, com característica de irradiar lentamente, como se estivesse subindo pela perna.

Essa especificidade é importante para o diagnóstico, pois, clinicamente, observa-se um prejuízo na sensibilidade que se distribui desde a sola do pé até a região das coxas.

Neuropatia autonômica do diabetes

Já a neuropatia autonômica do diabetes acomete as fibras do sistema nervoso autônomo. Para explicar de forma prática, esse sistema tem como função fazer a inervação de órgãos e, consequentemente, as manifestações podem ser sistêmicas.

Pensando nos acometimentos cardiovasculares, o indivíduo pode apresentar hipotensão, ou seja, uma queda de pressão principalmente ao levantar-se. Além disso, pode ficar com batimentos acelerados, mesmo em repouso, e tornar-se intolerante aos exercícios físicos.

O sistema gastrintestinal também é prejudicado, pois há uma maior dificuldade ao engolir os alimentos. As outras manifestações incluem os hábitos fisiológicos, com constipação, diarreia ou incontinência fecal.

Por fim, outro sistema prejudicado é o visual. A inervação autônoma é fundamental para o bom funcionamento das pupilas. Com os estímulos prejudicados, pode resultar em menor acuidade visual em ambientes escuros.

Radiculopatias

O último tipo de neuropatia diabética que vamos comentar é a radiculopatia. Ela gera uma dor localizada na região torácica. Embora essa localização seja mais frequente, também pode acometer a parte lombar ou a base dos membros inferiores, como as coxas.

Além da dor, os músculos da região podem se tornar atrofiados, resultando em fraqueza. Também há um prejuízo decorrente do emagrecimento provocado pela radiculopatia.

Como identificar a condição?

O diagnóstico precoce é essencial para iniciar o tratamento em tempo hábil e impedir a progressão da complicação. Porém, nem sempre isso é possível, considerando que inicialmente os pacientes são assintomáticos.

Apenas testes especiais podem detectar as neuropatias na fase subclínica, ou seja, antes que as manifestações sejam evidentes. Assim que detectados sinais característicos, devem ser considerados pelo menos 2 sintomas antes de fechar o diagnóstico.

Os testes devem ser tanto quantitativos como qualitativos, considerando:

  • sensibilidade tátil, térmica e dolorosa;
  • reflexos presentes ou ausentes.

Qual o tratamento da neuropatia?

Uma vez diagnosticada a complicação, o tratamento deve evitar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida, por meio da diminuição dos sintomas e da redução das possíveis sequelas. Infelizmente, a recuperação total das fibras ainda não é possível, de modo que o foco é diminuir a gravidade do acometimento.

O primeiro passo é o controle glicêmico, de modo que o organismo não fique mais submetido à hiperglicemia e suas alterações funcionais e estruturais. Complementando, a perda de peso também é essencial na conduta, acompanhada da redução dos níveis de colesterol.

Existem medicamentos que podem ser utilizados para o controle da dor, e a escolha do fármaco depende de quais outras comorbidades o indivíduo apresenta. Por fim, para garantir maior sucesso na intervenção, também deve ser feito o acompanhamento psicológico e uma abordagem educativa com o paciente.

Concluímos que a neuropatia diabética pode se apresentar de diferentes formas, mas todas elas têm impacto direto na qualidade de vida do paciente. Além de ser uma condição prejudicial por si só, representa também um fator de risco para o pé diabético, ocasionando até mesmo amputações. Portanto, o manejo adequado deve ser incentivado sempre, com o monitoramento constante capaz de afastar o desenvolvimento das complicações do diabetes descompensado.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre a neuropatia, que tal descobrir como o diabetes impacta suas finanças? Entenda a relação dessa enfermidade com o imposto de renda!

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