Entrevista com Raquel Pilotto

7 minutos para ler

A WinSocial acredita que são suas atitudes que te definem e não sua condição de saúde. Realizamos uma série de entrevistas com pessoas com diabetes que fazem a diferença para mostrar que a vida pode ser doce para todos! Confira!

WinSocial: para começarmos nosso bate papo poderia se apresentar rapidamente doutora?

Raquel Pilotto: meu nome é Raquel Pilotto, tenho 28 anos e descobri a diabetes com 12. Sou formada em Psicologia e atualmente trabalho no Centro de Diabetes do Rio de Janeiro. Sou mãe coruja do Carlos Alexandre (10). Rs.

WS: quando a diabetes é diagnosticada, é necessário mudar não só o comportamento mas também a forma de olhar a vida. Como você se sentiu no momento do diagnóstico?

RP: na hora achei que fosse morrer! Quando descobri eu senti bastante medo pois uma prima da minha mãe que também tinha diabetes tinha falecido recentemente. Minha mãe também ficou bastante assustada com a notícia o que me fez sentir medo também, claro. Mas depois ela foi me acalmando, me explicando o que era e o que eu precisaria fazer. Como boa assistente social, ela já sabia bastante sobre a diabetes. Só não esperava que uma filha dela fosse ter. Rs.

WS: já se sentiu excluída de alguma forma pelo simples fato de ter diabetes?

RP: excluída, excluída não. Mas quando eu voltei pra escola após o diagnóstico eu estava muito magra e as pessoas achavam que tinha algo mais grave, como câncer, por exemplo. Na verdade eu não me sentia mal ou excluída, mas como havia emagrecido muito – cheguei a pesar uns 45 quilos – as pessoas não entendiam bem pois muitos não sabem que o diabetes bem tratado não é uma doença grave. De qualquer maneira acho que essas situações também vão muito de acordo com a forma como a gente lida com as adversidades. Eu sempre aceitei bem essa minha condição de saúde e acho que isso contribui para eu não me sentir excluída.

WS: O que você faz no dia a dia para cuidar da saúde?

RP: atualmente eu uso a bomba de infusão de insulina porque me dá mais liberdade e conforto do que a insulina da caneta, que eu precisaria tomar todo dia no mesmo horário. Eu também faço exercício 3 vezes por semana e controlo a alimentação. Mas eu como de tudo, de vez em quando como uma besteira. Rs. Mas controlo bem. Não sou muito “xiita” com a alimentação não.

WS: a diabetes já te impediu de fazer alguma coisa?

Não mesmo. Não me impede de fazer nada!

WS: qual é o seu maior desafio com o tratamento?

RP: como às vezes esqueço das coisas, meu maior desafio é lembrar de tomar a insulina 15 minutos antes das refeições. Isso faz com que a glicemia fique alta e que eu precise corrigir depois, o que me deixa um pouco cansada e acaba atrapalhando o meu dia.

WS: você tem alguma história engraçada de hipo/hiper que queira compartilhar?

RP: uma vez estava na casa de praia do meu namorado (hoje meu marido) e estávamos deitados vendo um filme. De repente eu comecei a olhar pra janela e perguntar “O que é aquilo no céu?”, “O que é nuvem?” “Olha ali voando!” e não tinha nada. Logo ele percebeu que eu estava em hipo e me ajudou a corrigir.

Outra situação foi na minha formatura do ensino médio, eu estava tomando insulina no banheiro e a moça da limpeza achou que eu estava usando drogas. Rs!

Powered by Rock Convert

WS: qual a sua análise entre a Psicologia e a diabetes?

RP: autoconhecimento. Por estudar Psicanálise, percebo que muitas pessoas relacionam a diabetes somente à alimentação e à insulina, mas a parte emocional influencia muito. Muita gente dá desculpa por isso ou aquilo, mas por tudo que tenho pesquisado tenho a profunda certeza de que o emocional afeta mais do que tudo, porque se você não está bem você consigo acaba se descuidando, se alimentando mal etc. Minha dica maior é se auto conhecer. As pessoas querem curas milagrosas mas não há. Ter atitudes positivas também ajuda, por exemplo, se você se exercita você pensa duas vezes antes de comer uma besteira. Uma atitude saudável leva a uma outra atitude positiva.

WS: se você pudesse dar um conselho para alguém que acabou de descobrir que tem diabetes, o que você diria?

RP: diabetes não é nenhum bicho de sete cabeças como as pessoas tendem a vê-la. É preciso entender que é uma doença que não tem cura ainda mas que existe um tratamento adequado. De fato, você passa a mudar o seu estilo de vida para ter o bom controle, por exemplo, ter que furar o dedo todo dia. Mas eu penso sempre pelo lado positivo até porque essas mudanças são para hábitos saudáveis.

WS: você é também é mãe. O que diria para os pais e mães que estão preocupados com seus filhos com diabetes?

RP: eu acho normal essa preocupação dos pais, até porque no início as crianças têm a dificuldade de seguir o manejo correto e os pais pensam o tempo inteiro nas possíveis complicações. Mas com o tempo os pequenos vão apreendendo e melhoram o controle. Outra questão é que os pais muitas vezes sofrem por se sentirem culpados pela diabetes nos filhos. É preciso entender que eles não tem culpa alguma pois a condição simplesmente se manifesta. Percebo também que em muitos casos as crianças são mais fortes no sentido da aceitação. De forma geral é o que eu sempre falo para meus pacientes: ter diabetes não é um sinômino de ter complicações.

WS: junto a preocupação da saúde dos filhos vem a preocupação com a saúde financeira da família. Você já parou para pensar o quanto você gasta com o seu tratamento?

RP: ainda que trabalhassem muito – minha mãe tinha 3 empregos – , meus pais não tinham uma condição tão boa quando eu era adolescente. Então o custo com o meu tratamento foi algo que impactou bastante no orçamento, forçando raramente minha mãe a pedir dinheiro emprestado pra comprar insulina, fita etc. Já adulta, eu entrei com ação judicial no Estado para receber alguns insumos mas ele faliu. Então eu entrei com ação pelo plano de saúde e hoje em dia eu recebo insulinas, fitas e itens para a bomba. Mas sempre tenho gastos extras sejam com medicações ou consultas e exames. Hoje acredito que gasto em média R$ 500,00/mês só com farmácia. Com o nutricionista R$ 250,00 e mais outras consultas médicas, esse gasto com certeza é maior.

WS: quais atitudes você toma hoje para incluir esses gastos no seu orçamento e garantir sua saúde financeira no futuro?

RP: por agora eu estou montando meu consultório e recentemente comecei a ganhar e a cuidar do meu dinheiro. Estou começando a pensar no futuro e no que eu preciso guardar e investir.

WS: você acha que WinSocial pode te ajudar nisso?

RP: sim. Acho muito legal o conteúdo financeiro sobre previdência privada e seguros. Acho importante ter seguros até porque ninguém tá livre nada, ainda mais quem é autônomo como eu que se acontecer um acidente vai ficar sem trabalhar e consequentemente sem ganhar dinheiro. Daí com o seguro, principalmente o invalidez, você tem uma segurança financeira que vai te sustentar ao longo de um período. E a previdência penso bastante por que não dá mais pra confiar na pública (INSS) do jeito que está. Então você tem que ter alguma coisa mais segura pra quando estiver mais velho conseguir manter seu padrão de vida.

WS: Em uma palavra, viver com diabetes é:

RP: Controle! Rs!

Se você gostou da entrevista e quer saber mais sobre Seguro de Vida & Previdência para quem tem Diabetes, clique aqui e acesse o site da WinSocial.

Comentários

Você também pode gostar
-