Entrevista com Mário Márcio

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WinSocial acredita que são suas atitudes que te definem e não sua condição de saúde. Realizamos uma série de entrevistas com pessoas com diabetes que fazem a diferença, para mostrar que a vida pode ser doce para todos!

WinSocial: Mário, para começarmos a nossa entrevista, gostaria que você se apresentasse para nós.

Mário Márcio: Meu nome é Mário Márcio e trabalho há 17 anos com Tecnologia da Informação (TI). Há 4 anos mais comecei um trabalho como coach. Há 3 anos e meio curso Psicologia e hoje faço um trabalho voltado para educação em diabetes. Meu objetivo é concluir o curso de Psicologia e me formar educador em diabetes.

Ws: E os seus hobbies?

MM: Meus hobbies, eu tenho um rosa, um azul…hahahah. Brincadeiras à partes, eu gosto tanto do que eu faço que na verdade os meus hobbies estão tão ligados ao meu trabalho com diabetes que eu nem sinto. Por exemplo, sair com os amigos. Eu tenho uma galera que eu saio em que a maioria tem diabetes, então acabamos falando sobre o assunto 24 horas por dia. Mas sem entrar no diabetes Burnout, que é uma coisa que a gente precisa se preocupar também, né? Rs! Também já fui jogador de paintball, airsoft e até dj por 4 anos. Trabalhando de segunda a segunda praticamente. Mas hoje é só hobby mesmo.

WS: Mas hoje o seu hobby principal é o seu canal Deboabetes, certo?

MM: Exatamente. Começou como uma brincadeira e agora é algo mais sério. No início era um instablog mas desenvolvi para algo mais completo, com bastante informação relacionada à educação em diabetes. Lá eu procuro passar um pouco da minha experiência de psicólogo e de uma pessoa com diabetes. Além da vivência, produzo alguns conteúdo sobre tecnologias em diabetes também.

WS: Bacana. Pensando agora no momento em que a diabetes é diagnosticada, é necessário mudar não só o comportamento, mas também a forma de olhar a vida. Como foi esse instante para você?

MM: Rapaz… antes de ter diabetes eu tinha uma vida completamente desregrada, sem freio, #vidaloka mesmo. Rs! Mas depois do diagnóstico eu vejo que foi um sinal para eu repensar o meu estilo de vida. Entendo que foi um chamado, um convite para eu viver de uma maneira mais responsável. Não tenho exatamente a data em mente, mas sei que fui diagnosticado com diabetes tipo 1 quando tinha 26 anos. Daí passei por todos aqueles problemas, de não aceitação, de não encontrar uma médico bacana no início, de me acostumar a aplicar a insulina NPH, e por aí vai.

WS: O que seria uma insulina NPH?

MM: É a insulina humana. É uma excelente insulina, digamos assim, mas não é só essa insulina que eu precisaria. Então o que pegou mais naquele momento foi um tratamento que não estava eficiente. Eu não tive contato com uma especialista bacana que me desse uma orientação melhor. A médica, por sua vez, foi até onde eu estava indo, eu não estava avançando muito porque eu não estava aceitando o diabetes. Pensava “eu só vou aplicar uma “insulinazinha” pra não alterar em nada minha vida, no meu dia a dia”, enfim, criando resistências. A NPH é um tipo de insulina que basal que serve só para conter a subida espontânea de glicemia e eu não fazia o uso da outra insulina. Na época eu nem queria saber, pois como eu não aceitava o diabetes, eu nem queria ficar pensando nisso. O que eu queria era esquecer. Só que eu continuei com o peso muito baixo, eu perdi, se eu não me engano, 14 ou 16kg no diagnóstico, em cerca de  2 a 3 meses, até menos talvez. Enfim, eu ia ao endocrinologista uma vez por ano, devo ter ido uma 4 vezes nesses 4 anos aí.. não foi muito mais que isso. E cada vez que eu ia, ele falava “Olha, não está muito legal isso aqui não”. Rs!

WS: E hoje em dia, Mário? O que você faz para cuidar da sua saúde?

MM: Então, eu acho que o melhor tratamento para mim hoje não é exatamente o que eu faço, mas o por quê eu faço. E tenho uma boa base de educação em diabetes, um bom autoconhecimento pessoal e fisiológico, que me permite entender como funciona o meu corpo em situações diferentes, como no controle das emoções, por exemplo. Não é toda dia que estamos felizes, não é todo dia que é bom ou que temos boas experiências. Mas todas as experiências – sendo boas ou não – servem para que eu entenda como o dia a dia afeta a minha glicemia e o meu tratamento. Então se tem uma coisa que realmente que me ajuda hoje a cuidar da saúde é o meu modelo mental. De novo, não é o que eu faço, mas o porquê eu faço. E eu faço porque eu tenho uma boa educação em diabetes como paciente e porque tenho um bom autoentendimento da dinâmica psíquica e fisiológica do meu corpo.

WS: Percebo que apesar da formação em TI você olha a sua condição pelo viés da Psicologia também, certo?

MM: Sim. Minha formação inicial foi Análise de Sistema e depois passei para Análise de Rede, e agora Psicologia. Então, o que eu percebo é que consigo beber de diversas fontes para realmente enxergar uma solução para alguma adversidade, algum questionamento que surge para mim.

WS: A diabetes em si, Mário, já te impediu de fazer alguma coisa?

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MM: Hm…olha, eu acho que eu não sou a pessoa mais indicada para falar sobre isso. Até porque eu só fui diagnosticado com 26 anos. Então, vamos dizer assim, eu vivi os primeiros 26 anos da minha vida sem diabetes. Fui militar, fui uma criança e um adolescente sem diabetes. A condição não me impediu, mas o meu posicionamento em relação ao diabetes – principalmente no período em que eu não aceitava – sim. Naquele momento me impediu de muita coisa. Eu evitava sair, fazer uma caminhada em uma tarde. Se eu precisava fazer alguma coisa eu falava que não poderia ir. Por que eu não poderia? Não só porque eu não gostava, mas porque eu realmente tinha hipoglicemia e talvez no meio da tarde fosse um horário em que eu estivesse com mais insulina ativa. Talvez o calor me afetava de uma maneira mais forte. Então à tarde eu não ia em lugar nenhum.

WS: Entedi. Nós da WinSocial iniciamos a campanha pelo #fimdaexclusão contra as seguradoras que negam seguros para quem tem diabetes. Você já se sentiu excluído pelo simples fato de ter a condição?

MM: Olha, me senti excluído.. tem uma diferença entre o que acontece e o que a gente interpreta. Então, por várias vezes eu fui excluído de festinhas, de reuniões, de comilanças… desde o simples fato da pessoa estar com aquela caixinha de chocolate para cada um e quando chega em você ela pula. E eu entendo perfeitamente esse tipo de situação. Quando a pessoa não tem o posicionamento mental mais forte em relação à condição, ou uma autoestima insegura, realmente vai se sentir excluída. Mas fazendo agora a relação entre os assuntos (diabetes e seguros) e quando eu fiquei sabendo que é assim que a maioria das seguradoras procede, me senti excluído sim. Pensei “Como assim? Se eu quiser fazer um seguro eu não posso?” ou “Então vou ter que pagar mais caro?”. Essa situação da exclusão é uma coisa que mesmo que eu nunca tenha procurado, eu fico “inconformado”. Me pergunto “Como assim, gente? Eu fui colocado em um balaio, em um saco, tipo coloca um rótulo aqui nesse cara que tem diabetes e bota em um saco?”. Não é possível.

WS: Perfeita análise, Mário. Vamos dar uma animada aqui nessa conversa. Você tem alguma história engraçada de hipo ou hiper que você queira compartilhar?

MM: tenho uma que não foi exatamente comigo. Foi uma história de hipoglicemia em uma palestra. Um amigo meu…rs. Eu organizei uma palestra, falei um pouco e depois deixei para outra pessoa fazer a apresentação. Quando sou o responsável de algum evento, fico louco e olho tudo que está acontecendo, e em uma platéia cheia de pessoas com diabetes então, eu fico fazendo aquele escaneamento de um por um para ver se está tudo certo. De repente, eu olhei para um rapaz. Achei que ele tava com um olhar meio estranho, perdido, vago, uma coisa assim fora de contexto, mas tudo bem. Passado alguns minutos, olhei de novo e continuei achando meio estranho o rapaz olhar para o teto. Aí fui e sentei do lado dele, tinha um lugar lá vazio e eu já o conhecia. Perguntei “Tá tudo bem?”. Daí ele olhou lentamente para o lado e falou “Oi, tá tudo bem, cara?”. Daí eu vi que ele tava mexendo na mochila procurando alguma coisa, e perguntei o que ele estava procurando. Ele respondeu que procurava um doce. Só que na mochila dele só tinha um estojo com glicosímetro e mais nada. Aí eu ajudei ele, peguei o glicosímetro e a gente mediu e ele tava com uma hipo bem forte. Eu consegui uma pastilha de glicose eu dei a ele. Pensei que fosse esperar uns 15 minutinhos…passaram-se 40 e anda dele melhorar! Tive que voltar ao palco para encerrar o evento, e quando voltei, ele estava melhor e disse que tinha gostado muito do conteúdo do evento. Eu pensei “que cara de pau” não deve estar lembrando de nada. Rs!

WinSocial: Muito bom. Você tocou no assunto de que a pessoa precisa ter sempre o glicosímetro, um docinho, hidratação… você já parou para pensar em quanto gasta com esses insumos por mês?

MM: Só de sensor – que eu acho fundamental e a maioria das pessoas não tem acesso financeiro – são uns R$ 500,00 por mês. Só de insulina, usando caneta, insulina basal e ultra rápida, fica na faixa de R$ 200,00/mês. E aí tem também as lancetas, as tiras de teste que também tem uma parcela grande. Eu não preciso mais fazer 8 medições/dia como eu fazia antes, faço hoje uma média de 2 a 3 medições. Então são mais R$150/R$200 no mês. Mais o algodão, podemos fechar a conta em R$ 800/R$900 mensais.

WS: Você tem algum planejamento financeiro para o futuro, em que você possa não só garantir a sua condição de vida, mas que também a qualidade do seu tratamento?

MM: Em primeiro lugar é preciso ter em mente que não dá para você medir uma coisa que você não tem conhecimento. Você precisa saber da sua situação atual, ter um mapeamento, uma noção do seu custo mensal com os insumos e com a sua vida. Desde de contas até saídas para baladas. Só assim você pode realmente usar a sua receita e direcionar uma parte para uma reserva financeira imediata, que é um fundo de reserva que tem que ter uma liquidez rápida. Compor um fundo de reserva imediato que te sustente por 3, 6 meses ou 1 ano do seu salário, é o primeiro passo. Daí, a pessoa pode diversificar os investimentos, como ter um plano de previdência privada etc. Hoje eu faço isso. Eu tenho uma parte da minha receita que destino a compor o meu fundo de reserva imediato e outra para o fundo composto que direciono para o longo prazo, que vai ser a minha aposentadoria. Hoje, também estou contando com mais uma opção, a previdência e seguros da WinSocial, rsrs.

WS: Você acha que a WinSocial pode ajudar você e outras pessoas que tem diabetes nesse planejamento financeiro?

MM: Claro! Mesmo eu tendo uma boa noção de educação financeira, até hoje eu não tinha contemplado a possibilidade de ter um seguro de invalidez, por exemplo. É muito cultural a gente evitar falar de seguro de invalidez por que acha que “chama isso ou aquilo”. Na verdade não chama nada, chama só segurança! Eu nunca tinha pensando mesmo, até ter contato com vocês e saber que existe esse tipo de serviço. Além disso tem o diferencial. Vocês da Winsocial estão direcionados para a gente, para quem tem diabetes, seja tipo 1 ou tipo 2. E aí já me fez contemplar uma nova possibilidade de ter um serviço que vai me dar mais uma segurança.

WS: Para finalizar, Mário, se você pudesse dar um conselho para alguém que acabou de descobrir que tem diabetes, o que você diria?

MM: Para quem descobriu a diabetes hoje e que vai ter acesso a essa nossa conversa, provavelmente ela estará buscando informação. Então para essa pessoa, em primeiro lugar, parabéns por estar buscando essa informação, pois isso quer dizer que você está em um caminho certo de aceitação e de busca de educação em diabetes. A segunda coisa é ter contato com o mundo do diabetes. Ter contato com as pessoas que estão envolvidas, ter contato com o que tem de moderno e acessível hoje, ter contato com pessoas que dedicam o tempo delas para produzir alguma coisa para melhorar o dia a dia da gente, seja com dicas, conhecimento de causa, conhecimento cientifico específico etc. Seja pacientes, pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2, médicos envolvidos ou psicólogos. Então é isso, tenha contatos. Use essa aceitação como uma alavanca para se inserir nesse meio, pois isso vai te trazer mais benefícios, mais educação e conhecimento.

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