Entrevista com Beatriz Scher

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WinSocial acredita que são suas atitudes que te definem e não sua condição de saúde. Realizamos uma série de entrevistas com pessoas com diabetes que fazem a diferença, para mostrar que a vida pode ser doce para todos!

WinSocial: para começarmos, Bia, que tal se apresentar para nós?

Beatriz Scher: meu nome é Beatriz Scher, tenho 25 anos, sou formada em Relações Públicas e estudante de Educação Física. Sou carioca da gema, nascida e criada na cidade maravilhosa, Rio de Janeiro. Ainda não tenho filhos humanos, mas tenho 2 gatinhas que considero meus bebês, a Bela e a Jade. Meus hobbies são dormir haha, assistir séries, filmes e documentários, passear ao ar livre, ir ao cinema, sair com os amigos, entre outros. Vivo bem com diabetes tipo 1 há 18 anos e sou fundadora do Biabética, um canal online de educação em saúde onde as pessoas podem aprender sobre diversos temas envolvendo a Diabetes. Criar conteúdos sobre Diabetes começou como um hobby, mas se tornou um trabalho que amo fazer.

WS: quando a diabetes é diagnosticada, é necessário mudar não só o comportamento, mas também a forma de olhar a vida. Você pode nos contar sobre como se sentiu nesse momento?

BS: o meu tipo de diabetes é o tipo 1, que é autoimune. Eu descobri aos 6 anos de idade e na época foi um choque para todos. Pode parecer clichê, mas quando descobrimos uma doença autoimune – que significa que os anticorpos estão atacando o próprio corpo – você fica meio que sem chão. Eu agradeço por ter descoberto aos 6 anos de idade e não me lembrar completamente, mas tenho lembranças bem fortes do dia do diagnóstico. Lembro da minha mãe chorando, do meu pai preocupado colocando as mãos na cabeça. Lembro do primeiro teste de glicemia – que achei que seria um teste tipo o de escola, de escrever – lembro da primeira injeção de insulina que minha médica aplicou no meu braço enquanto eu chorava no colo da minha mãe.

WS: são lembranças bem fortes que tornaram você a pessoa que é. Como você as enxerga hoje?

BS: o que mais me marcou na verdade, foi a forma como os meus pais lidaram a partir do diagnóstico. Me fizeram enxergar de uma forma bem madura, quando eu tinha apenas 6 anos. Minha mãe costuma dizer que o diabetes me amadureceu anos em dias e acredito que isso seja verdade.
Meus pais deixaram claro que tínhamos descoberto uma condição de saúde grave e que eu tinha uma decisão a tomar: aceitar tomar as injeções e medir a glicemia e viver bem com isso, ou viver a vida no hospital. Quase toda criança não gosta de hospital, então você já sabe qual decisão tomei naquele 4 de agosto de 2000. Rs!

WS: já se sentiu excluída de alguma forma pelo simples fato de ter diabetes?

BS: não. Eu tenho uma família gigantesca por parte de mãe. 15 tios e tias, mais de 50 primos. Sempre vivemos grudados e imagina eu ter que ser a ”diferentona” ali? Minha mãe não ia admitir isso. Portanto, cresci sabendo que eu não era diferente de ninguém. Que eu era exatamente como os meus primos, porém, eu tinha uma condição em que precisava tomar um remedinho de vez em quando. Eu lidei tão bem com isso que tomei a minha primeira injeção de insulina sozinha aos 7 anos, numa situação de emergência. Tomei a decisão internamente, confirmei a dose com a minha mãe e me apliquei. Agradeço muito aos meus pais por me ensinarem a não me sentir excluída por ter diabetes, por não admitir que alguém ou alguma situação me diminua ou me exclua simplesmente pelo fato de eu ter diabetes.

WS: qual é o seu maior desafio com o controle (se é que ele existe)?

BS: toda condição de saúde tem os seus desafios. O meu é em relação à alimentação. Cresci no meio dos primos, fazendo contagem de carboidratos e comendo de tudo. De tudo mesmo! Sempre consegui controlar a glicemia assim, então pra mim estava tudo certo. Mas não estava. O fato de controlar a glicemia estava bom, porém, se alimentar de forma saudável vai além do diabetes. Acabei sofrendo com outras situações de saúde além do diabetes que me forçaram a me alimentar melhor e ainda é um desafio pra mim lidar com isso, mas tenho fé que vou conseguir.

WS: você consegue definir, em apenas uma palavra, o que é viver com a diabetes?

BS: desafio!

WS: a diabetes já te impediu de fazer alguma coisa?

BS: com a glicemia controlada, nada que eu me lembre no momento. Com hipo ou hiper, não posso fazer atividades físicas naquele momento, por exemplo. Preciso esperar que a glicemia volte à normalidade. Mas não vejo isso como algo negativo.

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WS: o que você faz no seu dia a dia para minimizar as dificuldades encontradas e cuidar da sua saúde?

Eu procuro me planejar para evitar surpresas. Sempre levo meu glicosímetro junto comigo para onde for. Na maioria das vezes levo açúcar para hipoglicemias e seringa reserva caso a minha bomba de insulina pare de funcionar. Acho que ter um planejamento é essencial.

WS: você tem alguma história engraçada de hipo/hiper que queira compartilhar?

BS: teve uma vez, há muitos anos atrás, que acordei e digitei umas mensagens para uma amiga avisando que tinha que fazer um trabalho. Ela me respondeu com um ?????? e me ligou perguntando se eu estava bem. Na hora eu não entendi o porquê e ela me pediu que medisse a glicemia. Quando medi, estava com hipo. Mais tarde, fui olhar o celular e as mensagens eram algo parecido com ”aarvcordei temho que tenhoooww qu tenho tanhoooo trbaohahaalhooo” hahahaha. Tenho o print dessa mensagem, inclusive:

WS: legal! De fato a diabetes demanda a compra de insumos para controlar possíveis hipo ou hiper. Você já parou para pensar o quanto você gasta com o seu tratamento?

BS: sim. Agradeço todos os dias por não precisar gastar. Recebo meus insumos do meu plano de saúde que custam em média R$3.000,00. De certo, se não tivesse o meu plano de saúde, não poderia arcar com este tratamento.

WS: você tem algum planejamento financeiro para o longo prazo, pensando em manter a qualidade do tratamento para a diabetes?

BS: sei que tudo pode acontecer, então para que eu consiga arcar com os meus insumos no futuro eu tenho uma previdência privada, além de algumas poupanças. Tenho vontade de fazer aplicações financeiras mas ainda estou aprendendo sobre o assunto. E para evitar qualquer imprevisto, eu também contratei recentemente o seguro de vida e invalidez porque sei que se algo acontecer comigo que me impeça de trabalhar, eu precisarei de uma ajuda para me organizar financeiramente e manter o meu tratamento.

WS: aqui na WinSocial pesquisamos bastante sobre longevidade e planejamento financeiro para quem tem diabetes. Acha que esse conteúdos podem ajudar a você e a outras pessoas?

BS: antes de eu conhecer a WinSocial, eu nem sabia que pessoas com diabetes eram negadas ao tentar comprar seguros de vida, por exemplo. Como cresci com o pensamento de que podemos fazer tudo menos produzir insulina, não existia isso pra mim de que pessoas com diabetes são um risco para seguradoras. Quando ouvi isso a primeira vez, cheguei a ficar ofendida. Como assim, eu, uma pessoa saudável, que me preocupo em cuidar bem do diabetes para evitar complicações, sou considerada um risco? Não fez sentido para mim. E pelo visto, também não fez sentido para a WinSocial. Por isso, tenho orgulho em trabalhar junto com vocês porque sei que estamos trabalhando duro para acabar com esse estigma de que pessoas com diabetes são sinônimo de pessoas doentes.

WS: se você pudesse dar um conselho para alguém que acabou de descobrir que tem diabetes, o que você diria?

BS: você não está só. É difícil agora e sempre será, mas você irá se acostumar. Novas rotinas são complicadas. Com calma e educação em diabetes, essa nova realidade irá se adequar e você irá se acostumar com ela eventualmente. Conte com a ajuda de pessoas que vivem a mesma situação que vocês todos os dias. Se conecte com pessoas que também tem diabetes, com pais que têm filhos com diabetes. Quando a dor do outro é parecida com a sua, chega a ser até mais confortante.

WS: para finalizar, com base na sua experiência, você poderia deixar uma mensagem motivacional a todos que estão lutando pelo #fimdaexclusão das pessoas com diabetes?

BS: quem aqui gosta de se sentir excluído de alguma coisa? Ninguém né? Principalmente se você for excluído por causa de uma condição de saúde que você não escolheu ter e que se bem tratada, não te trará complicações a longo prazo. Então, se você, assim como eu, se sente ofendido ao ser excluído por causa do diabetes, participe da campanha pelo #fimdaexclusão que nós estamos realizando. Vamos acabar com os estigmas ruins do diabetes!

Se você gostou da entrevista e quer saber mais sobre Seguro de Vida & Previdência para quem tem Diabetes, clique aqui e acesse o site da WinSocial.

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