Fui diagnosticada com diabetes! Isso tem tratamento?

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“Fui diagnosticada com diabetes quando tinha 12 anos. Foi um choque muito grande pois uma tia da minha mãe, que tinha diabetes mas não seguia o tratamento, havia falecido há pouco em decorrência das complicações. Mas, como eu não sabia desse detalhe, pensei que o diagnóstico fosse uma sentença de morte! Ainda não sabia nada sobre a doença, minha mãe só disse num primeiro momento que eu não poderia mais comer doces e que tudo ficaria bem. Fiquei uma semana internada no hospital, comecei a entender que minha vida ia mudar a partir daquele momento. Teria que incluir em minha rotina medições de glicose, doses de insulina, dieta equilibrada e exercícios físicos. E se fizesse isso – segundo um dos enfermeiros disse –  eu teria uma vida melhor do que uma pessoa sem a doença. Então me apeguei a essa informação e decidi encará-la da melhor forma possível. Mas não foi, e não é sempre fácil! Todo mundo tem seus altos e baixos e com a gente não é diferente. Por isso, toda ajuda é sempre bem vinda!”

(Raquel, 30 anos)

O momento do diagnóstico de diabetes pode ser traumatizante, marcando para sempre a vida de alguém. Mas, o que muitos não imaginam nesse momento de choque, é que o tratamento permite que a pessoa tenha uma qualidade de vida igual ou até melhor do que alguém que não tenha diabetes. Vamos entender o porquê?

O que é diabetes?

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)¹, o Diabetes Mellitus (DM) “consiste em um distúrbio metabólico caracterizado por hiperglicemia persistente, decorrente de deficiência na produção de insulina ou na sua ação, ou em ambos os mecanismos, ocasionando complicações em longo prazo.” Em outras palavras, é uma doença crônica em que a insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas e responsável pela absorção da glicose (açúcar) no nosso organismo, não é produzida ou não é absorvida de forma adequada pelas células, implicando assim no acúmulo de glicose no sangue.

 

Qual é o meu tipo?

Existem diversos tipos de diabetes, mas os mais comuns são o tipo 1, quando o organismo não produz a insulina, e o tipo 2, em que há uma deficiência na produção e/ou absorção da insulina. No primeiro tipo, a condição é congênita, ou seja, a pessoa já nasce com grande probabilidade de desenvolver a doença, sendo a maioria destes casos diagnosticados na infância ou adolescência. Já no tipo 2, além da predisposição genética, maus hábitos de saúde como a má-alimentação e o sedentarismo, contribuem para o surgimento da enfermidade.

Lembrando que somente profissionais de saúde especializados, podem afirmar qual o seu tipo de diabetes. Procure sempre orientação médica em caso de dúvidas.

 

Tratamento = mais saúde

Recentemente, eu e minha equipe participamos do 23º Congresso Multidisciplinar da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD)² e conversando com pessoas que têm a doença, uma das frases que mais escutamos foi: “sou mais saudável depois que descobri que tenho diabetes”. Isso se deve a um fato bem simples, é que o tratamento da diabetes implica na adoção de hábitos saudáveis que são recomendados para toda a população, independente se o indivíduo possui diabetes ou não.

Como exemplo desses hábitos, podemos citar a prática regular de atividade física, a dieta equilibrada, a realização de consultas periódicas à profissionais de saúde, ou seja, práticas recomendadas para qualquer pessoa para o acompanhamento e manutenção do seu bem-estar em saúde.

Outro ponto importante para o tratamento é o acesso a informação de qualidade, que permite uma boa educação em diabetes. Aqui você encontrará conteúdos exclusivos que te ajudarão no manejo da doença, mas reiteramos, é imprescindível o acompanhamento de profissionais de saúde especializados, como médicos, nutricionistas e educadores físicos.

 

Nem tudo são flores, mas nada está perdido!

Além da adoção de hábitos saudáveis, é inegável que o indivíduo com diabetes também precisa adquirir novos conhecimentos e rotinas. De acordo com a SBD³, “o controle metabólico é apontado como a pedra angular do manejo do diabetes, pois alcançar um bom controle reduz o risco de complicações microvasculares e pode, também, minimizar as chances de doenças cardiovasculares.”

Tal controle, implica na adoção de novos hábitos como a contagem de carboidratos, automonitoramento dos níveis glicêmicos (hiper e hipoglicemia) e até aplicações regulares de insulina (obrigatória para quem tem o tipo 1). Mas, como nem tudo na vida são flores, admiro a frase cunhada pelo ator José Loreto – 33 anos e diabético tipo 1 desde criança – no último Congresso ANAD: “(…) no começo é chato, dá raiva pensar em ficar monitorando isso ou aquilo. Mas com o tempo você acostuma. Vira hábito. Como escovar os dentes todo dia! Mas o mais importante mesmo é eu estar aqui contando história e poder brincar com meu filho!”

Além disso, com o avanço da tecnologia surgem cada vez mais dispositivos que facilitam o manejo do diabetes no dia a dia, como glicosímetros, bombas de insulina e aplicativos de celular para monitoramento e organização dos dados em saúde, como o WinSocial & Diabetes. Nada está perdido! 😉

 

Você não está só!

Pode parecer que estamos sozinhos na luta contra os desafios que a vida nos impõe. Mas se tratando do diabetes, essa realidade é bem diferente. Só no Brasil hoje, existem mais de 14 milhões⁵ de pessoas com diabetes, sendo aproximadamente 10% diagnosticadas com o tipo 1 e 90% com o tipo 2, segundo a SBD.

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Em 2015, a International Diabetes Federation (IDF)⁶ estimou que 8,8% da população mundial com 20 a 79 anos de idade (415 milhões de pessoas) vivia com diabetes. Se as tendências atuais persistirem, o número de pessoas com diabetes foi projetado para ser superior a 642 milhões em 2040. Cerca de 75% dos casos são de países em desenvolvimento, nos quais deverá ocorrer o maior aumento dos casos de diabetes nas próximas décadas.

Ademais, a Organização Mundial da Saúde (OMS)⁷ estima que glicemia elevada é o terceiro fator, em importância, da causa de mortalidade prematura, superada apenas por pressão arterial aumentada e o tabagismo.

Portanto, essa luta silenciosa não é só sua e estamos aqui para te ajudar no que for preciso!

 

Um grande abraço!

 

 

 

 

 

 

Fontes:

¹³⁵⁶⁷ Diretrizes Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) – 2017-2018.

²⁴ Participação no 23º Congresso Multidisciplinar da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD) Realizado de 26 a 29 julho de 2018.

 

 

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