Diabetes Burnout: o que é isso?

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Diabetes é uma doença estressante, isso ninguém duvida. Mas você sabia que existem maneiras de lidar melhor com essa condição?

Antes de tudo, você não está sozinho (a)!

Meu nome é Raquel Pilotto, sou psicóloga clínica especialista em diabetes e tenho diabetes tipo 1 há 16 anos. Posso falar isso com propriedade: ter diabetes não é fácil! Tenho diabetes 24 horas por dia, 7 dias na semana, os 365 dias do ano. Não tenho folga.

Minha rotina com a condição é assim: acordar, medir a glicose, tomar insulina para o café (uso bomba), antes do almoço medir e tomar insulina, antes do lanche e jantar o mesmo que no almoço. O manejo da glicemia é feito durante todo o dia, sem folga nem descanso. “Bobeou, dançou”. Ou seja, deixou de cuidar (medir a glicemia e tomar insulina), a glicose logo descompensa e nosso gráfico glicêmico vira uma montanha russa que ninguém gosta de ver (hipo, hiper, hipo…). E com isso, nós vivemos uma montanha russa de emoções também.

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O  lado não tão bom da tecnologia

As emoções estão diretamente relacionadas a glicemia. Não acredita? Monitore bem sua glicemia quando estiver passando por um momento estressante e veja com seus próprios olhos. Antigamente, sem os sensores de monitorização contínua, era mais difícil ter essa noção, mas, hoje em dia é fácil. Basta olhar o gráfico glicêmico que você consegue visualizar as flutuações da glicemia que não foram causadas pela alimentação.

E essa tecnologia (saiba mais sobre tecnologias que podem ajudar quem tem diabetes) pode tanto ajudar quando atrapalhar. Há algumas semanas vivi uma situação de estresse com minha bomba de insulina, ela parou a infusão por estar com o cateter obstruído. Eu estava saindo de um treino intenso na academia e não quis tomar muita insulina antes do treino não baixar minha glicemia durante. Comecei o treino com a glicemia em 180 pensando que fosse baixar (saiba mais sobre os benefícios dos Exercícios Físicos pra quem tem Diabetes), e quando terminei meu treino, medi e estava 300!!! Pensei: ”Como assim!?”. Fui tomar insulina e a bomba dizia “administração obstruída”.

Não tinha levado meu SOS (seringa + insulina rápida reserva), uma catástrofe total. Para completar, minha mãe me ligou contatando que estava levando meu pai para o hospital pois ele estava com a pressão alta e se sentindo mal. Eu quase morri do coração! Que estresse que passei. Corri pra casa, tomei minha insulina de forma manual (na seringa), tomei banho, troquei meu conjunto de infusão da bomba de insulina, coloquei uma roupa e sai. Ufa, pensei!

Mas não parou por aí

Entrei no uber (que demorou uma eternidade para chegar. Lei de Murphy!?), medi a glicose e deu… 320!! Fui dar o bolus (aplicar a insulina), e a bomba disse novamente que a administração estava obstruída! Naquele momento eu desisti. Tirei a bomba e fique controlando com a insulina rápida (que agora tinha levado) e medindo a glicose no dedo. Passei umas 7 horas sem bomba aquele dia só fazendo as aplicações manuais, furei o dedo umas 10 vezes. Foi um dia péssimo. Mas graças a Deus deu tudo certo e meu pai ficou bem. Eu teria todo esse estresse extra se não tivesse diabetes? Provavelmente não. Mas a questão é, todo mundo passa por um monte de adversidades na vida, e é comum não saber lidar com elas.

Às vezes tenho vontade de jogar minha bomba longe, mas sei bem que ela me ajuda muito. E que se é ruim com ela, é ainda pior sem! Então, minha melhor opção é ter opções para se algo der errado, como por exemplo andar sempre com minha caneta ou seringa de insulina SOS e ter sempre conjunto de infusão extra na bolsa. Então, não posso jogar a responsabilidade na bomba quando na verdade o erro de não estar prevenida sabendo que algo pode acontecer na verdade é meu.

A responsabilidade é somente sua, e você não pode colocar a culpa em ninguém. Tem coisas que só você pode fazer por você! Mas, você pensa: se eu tiver alguma complicação a culpa também será minha? Provavelmente sim, mas nem sempre. Você é responsável pela sua vida, mas você não tem controle sobre tudo que acontece tanto com você quanto com as pessoas a sua volta. Quer um exemplo? Alguém sabe como e quando irá morrer? Alguém tem controle sobre isso? Não!!!

Vamos com calma! O que podemos fazer para levar uma vida menos estressante?

Primeiro de tudo, respire, respire profundamente, aprenda a respirar. Enquanto escrevo isso estou aqui focando em minha respiração. Ela é involuntária, por isso não pensamos sobre ela e muitas vezes respiramos errado. Puxe o ar profundamente e solte-o todo, faça isso algumas vezes, principalmente em momentos nos quais você sentir que está a ponto de explodir!

Depois, pense qual o grau de importância você está dando a determinada situação. De 1 a 10 qual o número do seu problema. Se estiver mais perto do 1 do que do 10 você já sabe que não tem por que se estressar tanto assim.

Por último, tente pensar em formas diferente de lidar com a mesma situação. Tenha opções, cartas na manga. Tente olhar as coisas de formas diferentes, “mude suas lentes”, “pense fora da caixa”. Essas dicas com certeza irão te ajudar a amenizar seu estresse. Mas, a ajuda de um especialista é sempre válida. Se sentir necessidade não deixe de buscar apoio psicológico!

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