Saiba como a contagem de carboidratos pode ajudar no tratamento do diabetes

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O diabetes mellitus é uma condição na qual os níveis de glicose (açúcar) no sangue se mantém elevados caso não seja tratada. A curto e a longo prazo, isso gera um risco de desenvolvimento de complicações como cetoacidose, retinopatia, neuropatia, entre outras.

A melhor forma de evitá-las é realizar um acompanhamento constante em conjunto com o médico endocrinologista para identificar fatores que precisam de mudanças, sejam eles medicamentosos, sejam de hábitos de vida. E, para isso, a contagem de carboidratos é essencial.

São muitas as vantagens de manter esse automonitoramento, mas você sabe como realizá-lo? Como relacionar os alimentos que você ingere com a quantidade necessária de insulina? É o que veremos neste post! Continue lendo e tire suas dúvidas.

Qual é a importância da contagem de carboidratos?

O pâncreas é o órgão responsável por fazer o balanço entre os hormônios antagônicos insulina e glucagon. A insulina tem a função de promover a absorção de glicose pelas células e o glucagon fornece energia por meio da glicose na corrente sanguínea. Durante o dia, vários fatores influenciam a variação dos níveis de insulina.

Em geral, o corpo estabelece um equilíbrio energético constante. Na condição do diabetes, então, quando a produção de insulina é ausente ou ineficiente, esse controle deve ser feito pelo próprio indivíduo (devidamente orientado, é claro).

Quando ocorre a ingestão de carboidratos por pessoas com diabetes em uso de insulina injetável, é preciso aumentar a dose de insulina para que a glicose ingerida seja transformada em energia nas células. Se a quantidade de insulina for maior do que a necessária, existe o risco de isso levar a uma hipoglicemia, que traz riscos à saúde. Se a quantidade for menor, há o risco de levar a uma hiperglicemia, que também é prejudicial ao organismo. É aqui, portanto, que a contagem de carboidratos se faz importante. Ela serve de auxílio para ajustar a dose de insulina que será aplicada antes da ingestão dos alimentos.

No caso de um quadro hiperglicêmico constante, o risco a curto prazo mais temido é a cetoacidose diabética. Já a longo prazo, fatores cardiovasculares, oftalmológicos e neurológicos também podem ser acometidos. Em outras palavras, a contagem de carboidratos ajuda no manejo da glicemia, diminuindo o risco de complicações agudas e crônicas do diabetes.

Vale ressaltar ainda que não são apenas os alimentos que determinam os níveis glicêmicos. A prática de atividades físicas, por exemplo, requer um grande gasto energético, que deve ser monitorado para não ocasionar hipoglicemias.

Por tudo isso, em suma, a contagem de carboidratos otimiza a razão entre insulina e quantidade de carboidratos, ajustando a sensibilidade que existe nessa proporção.

Como fazer essa contagem?

Que tem diabetes, principalmente do tipo 1, administra sua dosagem de insulina em diferentes momentos do dia. A princípio, essa reposição é feita com a insulina basal em conjunto com a insulina rápida. No caso da insulina basal, o efeito é prolongado ao longo do dia. A insulina rápida é considerada a insulina para as refeições.

Entre cada refeição é necessária uma dosagem, chamada de bolus de refeição. Além disso, pode ser necessário incluir na dose a correção de hiperglicemia pré-prandial, ou seja, quando a medição da glicemia antes da refeição mostrou um valor superior ao desejado. Nesse segundo caso, chamamos a dosagem de bolus de correção.

Indivíduos que não seguem uma dieta fixa ou que não têm horários bem definidos para cada refeição requerem uma atenção maior com a contagem dos carboidratos. Esse aconselhamento deve ser realizado pelo médico, que indicará qual é a relação entre os gramas ingeridos e a insulina.

Vale destacar também que a escolha do tipo de carboidrato é que conduz o manejo adequado, pois é esse grupo alimentar que rapidamente será todo convertido em glicose. Os carboidratos simples serão convertidos mais rapidamente, havendo um risco de um pico hiperglicêmico. Já os carboidratos complexos, serão convertidos de forma mais lenta, sendo esta, a opção mais adequada para quem deseja ter um gráfico de glicemia estável.

Para auxiliar o indivíduo sobre a quantidade exata de carboidratos em cada alimento, existem tabelas nutricionais que informam este dado. Há alguns anos, pessoas com diabetes que faziam contagem de carboidratos, andavam com um livreto sempre consigo. Com o avanço da tecnologia, existem aplicativos que reúnem essas informações no celular.

Como é feito o cálculo da insulina necessário?

Uma vez obtida a quantidade de carboidratos na sua refeição, é preciso adequar a sua dosagem de insulina. Para isso, não considere apenas a contagem, mas também a taxa de glicemia antes da refeição.

Na hora de medir a glicemia capilar, você precisa saber se ela está dentro ou além da meta de tratamento. Supondo, por exemplo, que ela está 200 mg/dL e a sua meta seja de 150 mg/dL, esses 50 mg/dL devem ser corrigidos. Consequentemente, é preciso dividir 50 pelo valor de sensibilidade da insulina, que é indicado pelo seu médico. Supondo que este valor seja 25, serão necessárias 2 unidades para realizar essa primeira correção.

Lembra que ainda precisamos considerar o quanto de carboidratos serão ingeridos? Então, se na contagem forem obtidas 90 gramas, por exemplo — e considerando que 1 unidade de insulina consiga suprir 15 gramas de carboidratos — serão necessárias 6 unidades. A dosagem de correção de carboidratos também deve ser indicada pelo médico, uma vez que ela é individual.

Por fim, basta somar o valor necessário para corrigir a glicemia fora da meta antes da refeição e o valor para corrigir a quantidade de carboidratos ingerida. No caso desse exemplo, foram necessárias 8 unidades para esta refeição fictícia.

Quais são as metas para o manejo?

Apesar das metas de glicemia e dosagem de insulina serem individuais, exitem alguns parâmeros pré estabelecidos que podem ser usados pela maioria das pessoas.

Segundo a Associação Americana de Diabetes, os adultos com diabetes mellitus tipo 1 devem apresentar um valor entre 70 e 140 mg/dL antes das refeições. Já após a refeição, o ideal é que ele fique inferior a 180 mg/dL.

Esse valor é obtido por meio da glicemia capilar, que é verificada em torno de 6 vezes ao longo do dia, pelo próprio indivíduo. Existem, porém, outros exames específicos para fazer a análise de como está o tratamento.

O mais recomendado é o exame de hemoglobina glicada, justamente porque ela reflete a média dos índices glicêmicos dos 3 meses mais recentes.

Enfim, vimos que a contagem de carboidratos é uma maneira de adequar o tratamento à realidade de cada pessoa. Além de ser fundamental para evitar as complicações do diabetes, ela torna o sujeito ativo no seu plano de cuidados, melhorando a adesão e, consequentemente, os resultados dos valores glicêmicos. Se tiver ficado com alguma dúvida, não deixe de esclarecê-la com o médico e o nutricionista que acompanham o seu caso!

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