Com qual frequência devo medir minha glicemia?

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“Tenho diabetes tipo 2 a mais ou menos 3 anos. Segundo indicação do meu endocrinologista, tento medir a glicemia em jejum pela manhã, no almoço, e no período da noite. Assim, consigo manter a medição 3 vezes por dia, seguindo o seguinte processo: uma medição ao acordar antes da medicação, outra 1 hora após o almoço, e a última antes de dormir. Em caso de alimentação desregular como festas ou saídas, geralmente faço a medição após ao evento para verificar se está tudo ok.” (Priscilla A.)

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É sabido que o controle da glicemia reduz de forma significativa as complicações do diabetes mellitus (DM). Nesse sentido, os métodos que avaliam a frequência e a variação dos níveis glicêmicos (hiper e hipoglicemias) são essenciais no acompanhamento do DM. Todo esse monitoramento permite ajustes ao longo do tratamento de acordo com as peculiaridades de cada paciente. Mas vamos lá, somente as famosas “picadas” aleatórias nas pontas dos dedos, podem ser consideradas adequadas? Vamos entender melhor.

 

O que é a glicemia?

A glicemia é a concentração da glicose (açúcar) na circulação sanguínea, sendo a variação glicêmica relacionada a fatores como alimentação, atividade física, estresse, mas principalmente, ao consumo de carboidratos numa dieta. A mensuração dessa taxa é feita através de exames de sangue que permitem o diagnóstico de diabetes – para já quem possui esta condição – ou o manejo adequado da doença, a fim de evitar casos de hiperglicemia (alta concentração de glicose) e hipoglicemia (baixa concentração de glicose).

No geral, os exames de sangue laboratoriais que medem a taxa de glicose na circulação sanguínea, são realizados após um jejum de 8 a 12 horas de duração, sem o consumo de qualquer alimento ou bebida, exceto água. Seu principal objetivo é monitorar as taxas de açúcar no sangue de pessoas com diabetes ou com suspeita desse diagnóstico.

Principais exames

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)¹, o exame laboratorial mais utilizado para o controle glicêmico é a hemoglobina glicada (HbA1c). Mas tão importante quanto a verificação em laboratórios, é o automonitoramento da glicemia capilar (AMGC)² que pode ser feito em qualquer lugar, seja em casa, no trabalho etc. Comumente conhecido pelas famosas “picadas” nas pontas dos dedos, esse formato consiste em um recurso muito valioso tanto para o paciente como para o médico, pois dentre todos os formatos de controle glicêmico, é sem dúvida o que fornece o maior número de informações sobre o dia a dia alimentar e as respostas glicêmicas obtidas para cada indivíduo.

Também existem para auxiliar no tratamento sensores que medem a glicemia não pelo sangue, mas pelo líquido intersticial, chamados de Continuous Glucose Monitoring (CGM) e Flash Glucose Monitoring (FGM). Como a disciplina e frequência são fundamentais para o sucesso do tratamento, o uso desses sensores podem ajudar a pessoa com diabetes a alcançar um melhor controle.

 

Quando devo medir a glicemia?

“Legal Brenno, mas qual é a frequência padrão de glicemia ideal para mim?” – você deve estar se perguntando. No geral, os horários mais importantes para verificar os níveis de glicose no sangue são pela manhã, em jejum (independentemente do tipo de diabetes), e também sempre antes das refeições, para quem tem o tipo 1. No entanto, isso não substitui a consulta médica regular!³ Somente o(a) médico(a) poderá indicar a frequência adequada de monitoramento para você, visto que não existe um padrão geral recomendado para todos os pacientes, mas sim, é preciso analisar cada condição clínica de forma personalizada.

Lembrando que os valores glicêmicos variam bastante ao longo do dia devido à ingestão de alimentos, medicamentos, estresse, atividades físicas etc, e por isso, o autoconhecimento e o acompanhamento de profissionais especializados é fundamental!

 

Vou me “picar” pra sempre?

Nada é para sempre, mas vamos ser sinceros, o automonitoramento da glicemia não é das tarefas mais prazerosas e não é difícil encontrar pessoas que tenham medo de agulhas. Nesse sentido, existe um grande esforço de pesquisa em novas tecnologias por empresas de diferentes setores, no Brasil e no mundo, para promover uma melhor experiência para quem tem diabetes.

A boa nova é que já estão em fase de testes, diversos protótipos de sensores de glicose não invasivos, ou seja, que não requerem a necessidade de utilização de sangue capilar (furar seu dedinho!). São inúmeros os formatos de monitoramento glicêmico dessas novas tecnologias, como a utilização de sensores de luz na polpa digital, a aplicação de nanopartículas em tatuagens, a medição da glicose através dos olhos (como se fossem lentes de contato mesmo) e até sensores de respiração de última geração.

Outra excelente notícia é que já é comum no mercado brasileiro o uso de sensores de glicemia acoplados à bomba infusora, em que o próprio display da bomba é o receptor para o sensor, evitando assim dois aparelhos na cintura do paciente. Tudo para trazer mais conforto e praticidade para quem diabetes, seja tipo 1 ou tipo 2!

 

Resumo da “doce” ópera

Não há uma fórmula mágica para medir a glicemia e cada paciente deve seguir uma prática continuada de educação em diabetes, não apenas na fase inicial da descoberta da doença, mas também conforme a evolução da enfermidade. Ainda, não existe um padrão de testes que possa ser recomendado para todos os pacientes, muito pelo contrário, essa frequência deve ser individualizada e adaptada às peculiaridades de cada paciente.

De modo geral, saber a tendência da glicemia é tão importante quanto conhecer seu número absoluto. Essas informações podem reduzir o tempo de exposição à hiperglicemia, prevenir hipoglicemias, reduzir amplas variações da glicemia e modificar comportamentos por parte dos pacientes.

Ademais, os resultados do automonitoramento devem ser efetivamente utilizados pelo médico e pelos demais profissionais de saúde, com o objetivo de promover ajustes constantes na conduta terapêutica e na orientação complementar das áreas de Enfermagem, Nutrição, Psicologia e Educação física.

Ficou com alguma dúvida? Confira outros de nossos artigos seja no nosso aplicativo ou no blog! Vamos tentando te ajudar com informação e tecnologia!

Conte com a gente! 😉

 

 

 

 

 

Fonte:

¹ Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). 2017-2018.

²³ Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). 2015-2016.

 

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